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Paleogeografia e a Terra amanhã · Cenários para o século XXI

Projeções climáticas para Portugal

Verão no Alentejo: 40 °C à sombra, a barragem do Alqueva com menos água e o aviso de risco máximo de incêndio rural no telemóvel. Será que este cenário vai tornar-se normal? O IPMA estuda o que pode acontecer ao clima de Portugal continental até 2100, e neste apartado aprendes a ler essas projeções e a perceber o que significam para o território.

O que é uma projeção climática

Uma projeção climática não é uma previsão do tempo. A previsão diz-te se amanhã chove em Coimbra. A projeção diz-te como deverá ser o clima médio daqui a décadas, se as emissões de gases com efeito de estufa seguirem um dado caminho.

Por isso, cada projeção depende de um cenário de emissões (ver o apartado dos cenários do IPCC). Com emissões elevadas, as alterações são maiores; com emissões reduzidas, são menores.

Os valores do IPMA são sempre aproximados e dados em intervalos (por exemplo, «2 °C a 4 °C»). Há incerteza porque:

  • os modelos climáticos diferem entre si;

  • não sabemos que cenário de emissões a humanidade vai seguir;

  • o clima tem variabilidade natural de ano para ano.

Compara-se sempre com um período de referência (um clima médio de várias décadas), nunca com um só ano.

Dois cenários de emissões: a temperatura sobe mais no cenário de emissões elevadas do que no de emissões reduzidas, e cada um tem uma faixa de incerteza. Temperatura Tempo (até 2100) Emissões elevadas Emissões reduzidas
Pratica★☆☆Por começar
O IPMA (Instituto Português do Mar e da Atmosfera) divulga projeções climáticas para Portugal continental. Para um cenário de emissões elevadas, espera-se, até ao final…

O IPMA (Instituto Português do Mar e da Atmosfera) divulga projeções climáticas para Portugal continental. Para um cenário de emissões elevadas, espera-se, até ao final do século XXI, em valores aproximados:

Aspeto do clima Projeção para Portugal continental
Temperatura média do ar aumento de cerca de 2 °C a 4 °C
Precipitação anual diminuição, mais acentuada no sul (até cerca de 30 %)
Ondas de calor mais frequentes, mais intensas e mais prolongadas
Risco meteorológico de incêndio rural aumento do número de dias de risco elevado, sobretudo no interior e no sul
Nível médio do mar na costa portuguesa subida de cerca de 0,5 m a 1 m
  1. a) Resume, com as tuas palavras, as duas principais alterações previstas para o clima de Portugal continental.
  2. b) Explica por que razão a subida do nível do mar é particularmente preocupante para as zonas baixas dos estuários do Tejo e do Sado e para a cidade de Lisboa.
  3. c) Relaciona o aumento previsto do risco de incêndio rural com as alterações projetadas para a temperatura e para a precipitação.
Resolver

O que se espera para Portugal continental

Para um cenário de emissões elevadas, até ao final do século XXI, o IPMA aponta, em valores aproximados:

Aspeto do clima Projeção
Temperatura média do ar aumento de cerca de 2 °C a 4 °C
Precipitação anual diminuição, mais acentuada no sul (até cerca de 30 %)
Ondas de calor mais frequentes, mais intensas e mais prolongadas
Risco de incêndio rural mais dias de risco muito elevado
Nível médio do mar subida progressiva

Cada ponto tem uma explicação física:

  • Temperatura: mais gases com efeito de estufa retêm mais calor na atmosfera.

  • Precipitação: o aquecimento desloca para norte as zonas de chuva do Atlântico; o sul, mais seco, perde mais.

  • Onda de calor: período de dias consecutivos com temperaturas máximas muito acima do normal. Com a média a subir, estes extremos tornam-se mais comuns.

  • Subida do nível médio do mar: a água dos oceanos expande-se ao aquecer e há mais água vinda do degelo de glaciares e mantos de gelo.

Ler uma variação percentual

Uma diminuição «até cerca de 30 %» é um valor máximo da gama, não um valor garantido em todo o país.

Consequências no território

Menos chuva e mais calor têm efeitos encadeados:

  • Seca: menos precipitação e mais evaporação reduzem a água no solo, nos rios e nas albufeiras. O Sul, com o Alentejo e o Algarve, é o mais vulnerável. Os aquíferos recarregam menos, o que liga este tema à gestão das águas subterrâneas.

  • Incêndios rurais: vegetação seca, vento e calor aumentam o número de dias de risco meteorológico muito elevado. O risco meteorológico é só uma parte: o fogo também depende do combustível (mato, floresta) e da ação humana.

  • Subida do nível do mar: afeta a costa baixa e arenosa, como a Ria de Aveiro, o estuário do Tejo e o Algarve. Aumenta a erosão das arribas e das praias e a intrusão salina nos aquíferos costeiros.

Como usar estas projeções

Ler uma projeção é um pequeno método:

  1. Identifica o cenário de emissões.

  2. Identifica o período (por exemplo, fim do século) e o de referência.

  3. Lê o intervalo e a variável (temperatura, precipitação…).

  4. Indica a região: o sul não é o norte.

  5. Lembra que o valor é aproximado e incerto.

De volta ao início: o verão quente e seco no Alentejo, com risco máximo de incêndio, é precisamente o tipo de situação que as projeções indicam que será mais frequente, sobretudo no cenário de emissões elevadas.

Em resumo

  • Uma projeção climática descreve o clima médio futuro para um cenário de emissões; não é uma previsão do tempo.

  • Para Portugal continental, com emissões elevadas, até ao final do século XXI: temperatura média mais 2 °C a 4 °C; menos precipitação (até cerca de 30 % no sul); ondas de calor mais frequentes, intensas e prolongadas.

  • Consequências: seca, mais dias de risco de incêndio rural e subida do nível do mar na costa.

  • Os valores são aproximados e dados em intervalos, por causa da incerteza.

  • Ao ler uma projeção, indica sempre cenário, período, região e incerteza.

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