Da planta ao corte
Numa saída de campo, a professora de Geologia mostra-te a carta geológica da região e pergunta: «O que há por baixo dos nossos pés, a 200 metros de profundidade?» A carta só mostra o que aflora à superfície. Para responder, é preciso transformar a planta (vista de cima) num corte (vista de lado). É isso que vais aprender a fazer.
Ler a planta: legenda e idades
A carta geológica é uma vista de cima: cada cor ou padrão representa uma unidade litostratigráfica (um conjunto de rochas com características próprias) que aflora à superfície.
A legenda da Carta Geológica de Portugal está ordenada da unidade mais recente (em cima) para a mais antiga (em baixo), tal como uma coluna estratigráfica. Por isso, para saber a idade relativa de duas unidades, basta ver a posição na legenda.
Se os estratos não foram deformados, as camadas mais antigas estão por baixo (princípio da sobreposição). Numa região dobrada ou com falhas, a ordem na planta pode ser repetida ou cortada, mas a legenda continua a dar a idade de cada unidade.
A figura representa uma minicarta geológica simplificada de uma região fictícia do interior de Portugal, com a respetiva legenda — ordenada, como na Carta Geológica de…
A figura representa uma minicarta geológica simplificada de uma região fictícia do interior de Portugal, com a respetiva legenda — ordenada, como na Carta Geológica de Portugal, da unidade mais recente (em cima) para a mais antiga (em baixo) — e o corte geológico segundo a linha A–A′, como se mostra na figura.
- a) Identifica a unidade litostratigráfica mais antiga e a mais recente da área representada. Justifica com base na legenda.
- b) Em que zona da carta (oeste, centro ou este) aflora a unidade mais antiga?
- c) Que estrutura tectónica atravessa a carta de noroeste para sudeste? Como é representada na legenda e no corte?
- d) Que elemento de interesse económico está assinalado na zona dos xistos e como é representado? Por que razão é importante registá-lo na carta?
Estruturas na carta: contactos, dobras e falhas
Na planta, as unidades estão separadas por contactos (linhas). Um contacto pode ser:
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normal (estratigráfico): uma unidade assenta sobre a outra;
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por falha: linha mais grossa, com símbolo de falha; as unidades ficaram lado a lado por movimento ao longo de uma fratura.
Reconhece também as estruturas pela disposição das unidades:
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numa dobra, as mesmas unidades repetem-se simetricamente dos dois lados de um eixo. Numa antiforma as unidades mais antigas ficam no centro; numa sinforma as mais recentes ficam no centro (quando a ordem original não foi invertida);
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uma falha corta e desloca as unidades; pode atravessar a carta como uma linha reta, por exemplo de noroeste para sudeste, e as unidades de um lado não coincidem com as do outro. Numa falha normal o teto desce em relação ao muro; numa falha inversa o teto sobe; numa falha de desligamento o movimento é horizontal.
Para ordenar os acontecimentos aplicam-se os princípios da datação relativa: sobreposição (a camada de cima é a mais recente), intersecção (a estrutura que corta é mais recente do que o que é cortado) e inclusão (os fragmentos incluídos são mais antigos do que a rocha que os contém). Uma discordância (superfície de erosão ou de não deposição entre unidades) indica uma lacuna no registo.
Os símbolos de direção e inclinação (um pequeno traço com um número) indicam como os estratos se inclinam: para onde mergulham e com que ângulo.
A figura representa uma minicarta geológica simplificada de uma região fictícia do interior de Portugal, com a respetiva legenda — ordenada, como na Carta Geológica de…
A figura representa uma minicarta geológica simplificada de uma região fictícia do interior de Portugal, com a respetiva legenda — ordenada, como na Carta Geológica de Portugal, da unidade mais recente (em cima) para a mais antiga (em baixo) — e o corte geológico segundo a linha A–A′, como se mostra na figura.
- a) Identifica a unidade litostratigráfica mais antiga e a mais recente da área representada. Justifica com base na legenda.
- b) Em que zona da carta (oeste, centro ou este) aflora a unidade mais antiga?
- c) Que estrutura tectónica atravessa a carta de noroeste para sudeste? Como é representada na legenda e no corte?
- d) Que elemento de interesse económico está assinalado na zona dos xistos e como é representado? Por que razão é importante registá-lo na carta?
Construir o corte geológico segundo A–A′
O corte geológico é a representação, num plano vertical, do que se encontra ao longo de uma linha traçada na carta (aqui, a linha A–A′). Segue sempre estes passos.
A figura representa uma minicarta geológica simplificada de uma região fictícia do interior de Portugal, com a respetiva legenda — ordenada, como na Carta Geológica de…
A figura representa uma minicarta geológica simplificada de uma região fictícia do interior de Portugal, com a respetiva legenda — ordenada, como na Carta Geológica de Portugal, da unidade mais recente (em cima) para a mais antiga (em baixo) — e o corte geológico segundo a linha A–A′, como se mostra na figura.
- a) Identifica a unidade litostratigráfica mais antiga e a mais recente da área representada. Justifica com base na legenda.
- b) Em que zona da carta (oeste, centro ou este) aflora a unidade mais antiga?
- c) Que estrutura tectónica atravessa a carta de noroeste para sudeste? Como é representada na legenda e no corte?
- d) Que elemento de interesse económico está assinalado na zona dos xistos e como é representado? Por que razão é importante registá-lo na carta?
Do corte ao bloco-diagrama
Um bloco-diagrama é um desenho em perspetiva que junta, num só «bloco» de terreno, a planta (face de cima) e dois cortes (faces laterais). Dá uma imagem tridimensional da estrutura: vês como uma dobra ou uma falha se prolonga em profundidade.
Constrói-se em três passos: desenhar o bloco em perspetiva; representar na face superior a carta geológica; e prolongar os contactos pelas faces laterais, tal como no corte. Os contactos que na face superior terminam numa aresta continuam, na face lateral, com a inclinação adequada.
De volta ao início: a 200 m de profundidade, sob a escola, está a unidade que o corte mostrar nessa posição, prolongando os contactos com a inclinação dos estratos. Sem corte, a carta não o diz.
Em resumo
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A legenda ordena as unidades da mais recente (em cima) para a mais antiga (em baixo); a idade lê-se aí, não na posição na carta.
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Os contactos, a repetição simétrica de unidades e os símbolos de direção e inclinação revelam dobras e falhas.
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O corte A–A′ constrói-se com: escala horizontal, tira de papel para marcar contactos, perfil topográfico, prolongamento dos contactos com a inclinação e cores da legenda.
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O exagero vertical é a razão entre as escalas horizontal e vertical e deve ser sempre indicado.
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O bloco-diagrama junta a planta e dois cortes numa perspetiva tridimensional.