Da Pangeia à configuração atual
Se recortares a costa leste da América do Sul e a costa oeste de África, as peças quase encaixam. Será coincidência? Há cerca de 250 milhões de anos, os continentes estavam todos juntos num só bloco. Nesta página vais ver como esse bloco se partiu, por que ordem se formaram os oceanos e como é possível calcular quanto se afastaram os continentes.
Evidências de que os continentes já estiveram juntos
Wegener propôs a deriva continental com base em observações feitas em continentes diferentes. Hoje, essas observações continuam a ser usadas para reconstruir a paleogeografia.
| Tipo de evidência | O que se observa | O que sugere |
|---|---|---|
| Morfológica | A costa leste da América do Sul e a costa oeste de África encaixam | Estiveram unidas |
| Paleontológica | Fósseis do réptil de água doce Mesosaurus só na América do Sul e no sul de África | Um animal de água doce não atravessa um oceano: os continentes estavam juntos |
| Paleoclimática | Rochas com marcas de glaciação na Índia, em África e na América do Sul | Estavam juntos e perto do polo sul, e depois afastaram-se para latitudes tropicais |
| Litológica e estrutural | Cadeias montanhosas da mesma idade e tipo de rocha que se «continuam» de um lado ao outro do Atlântico | Eram uma só cadeia, depois cortada pela abertura do oceano |
As evidências valem mais em conjunto: uma só poderia ser coincidência, mas várias independentes apontam para a mesma conclusão.
Na aula, a professora apresentou três observações feitas em continentes diferentes: Observação 1: fósseis do mesmo réptil de água doce, o Mesossauro, encontram-se apenas…
Na aula, a professora apresentou três observações feitas em continentes diferentes:
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Observação 1: fósseis do mesmo réptil de água doce, o Mesossauro, encontram-se apenas no leste da América do Sul e no sul de África.
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Observação 2: rochas com marcas de antigas glaciações existem em regiões que hoje têm clima tropical, como a Índia e o centro de África.
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Observação 3: uma cadeia montanhosa muito antiga termina na costa leste da América do Norte e uma cadeia com rochas da mesma idade começa na costa oeste da Europa.
- a) Explica o que cada uma das observações sugere sobre a posição antiga desses continentes.
- b) Indica por que razão estas três observações, em conjunto, são consideradas argumentos a favor da deriva dos continentes.
Da Pangeia à fragmentação
Há cerca de 250 Ma (início do Mesozoico), quase todas as terras emersas formavam um supercontinente, a Pangeia, rodeado por um único oceano, o Panthalassa. Entre a parte norte e a parte sul, a leste, entrava uma baía oceânica em forma de cunha, o oceano Tétis.
A Pangeia começou a fragmentar-se por volta dos 200 Ma, ao longo de riftes. Primeiro, dividiu-se em dois grandes blocos:
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Laurásia, a norte (América do Norte, Europa e Ásia);
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Gondwana, a sul (América do Sul, África, Índia, Antártida e Austrália).
Depois, estes blocos foram-se partindo e os fragmentos afastaram-se por deriva dos continentes, impulsionada pela tectónica de placas.
| Idade aproximada | Acontecimento |
|---|---|
| ~250 Ma | Pangeia formada |
| ~200 Ma | Fragmentação em Laurásia e Gondwana; começa a abrir-se o Atlântico Central |
| ~140 Ma | Abre-se o Atlântico Sul (América do Sul separa-se de África) |
| ~100 a 60 Ma | Abre-se o Atlântico Norte, entre a América do Norte e a Europa |
| ~50 Ma | A Índia colide com a Ásia e começam a levantar-se os Himalaias |
| Cenozoico | Fecho do Tétis e formação dos Alpes |
As idades são aproximadas e variam consoante a fonte; o importante é a ordem dos acontecimentos.
O Ricardo encontrou num livro as seguintes etapas da evolução paleogeográfica da Terra, mas estão por ordem cronológica errada: 1. colisão da Índia com a Ásia e início…
O Ricardo encontrou num livro as seguintes etapas da evolução paleogeográfica da Terra, mas estão por ordem cronológica errada:
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colisão da Índia com a Ásia e início da subida dos Himalaias;
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abertura do oceano Atlântico Sul, com a América do Sul a afastar-se de África;
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formação do supercontinente Pangeia;
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fragmentação da Pangeia em Laurásia (a norte) e Gondwana (a sul);
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fecho do oceano Tétis e formação das cadeias montanhosas alpinas, como os Alpes.
- a) Reescreve a lista por ordem cronológica, da etapa mais antiga para a mais recente.
- b) Faz corresponder a cada etapa uma das seguintes idades aproximadas: 250 milhões de anos, 200 milhões de anos, 130 milhões de anos, 50 milhões de anos, 30 milhões de anos.
- c) Indica, para uma das etapas, uma prova geológica que permite aos cientistas saber que ela ocorreu.
A figura representa, de forma esquemática, quatro momentos da evolução paleogeográfica da Terra nos últimos 250 milhões de anos. a) Descreve o que aconteceu entre a…
A figura representa, de forma esquemática, quatro momentos da evolução paleogeográfica da Terra nos últimos 250 milhões de anos.
- a) Descreve o que aconteceu entre a situação (a) e a situação (d), usando os termos Pangeia, fragmentação e deriva dos continentes.
- b) A reconstrução (b) não tem a idade indicada. Escolhe, entre 240, 180 e 60 milhões de anos, a idade mais plausível para a reconstrução (b) e justifica a tua escolha com base na posição dos continentes e no oceano Tétis representado.
- c) Na situação (c), um novo oceano começava a abrir-se. Indica o nome desse oceano e explica que processo geológico esteve na origem da sua abertura.
A velocidade de afastamento das placas
Nas dorsais médio-oceânicas forma-se crosta nova e as placas afastam-se. Se conhecermos a velocidade e o tempo, calculamos a distância: distância = velocidade × tempo.
A conversão mais útil é esta: $2{,}5\ \text{cm/ano} = 25\ \text{km/Ma}$. Porquê? Num milhão de anos, $2{,}5 \times 10^6\ \text{cm} = 25 \times 10^{3}\ \text{m} = 25\ \text{km}$.
Estas contas supõem velocidade constante. Na realidade, a velocidade varia ao longo do tempo e de dorsal para dorsal.
Os oceanos fecham-se e o futuro
O planeta não aumenta de tamanho: se há crosta oceânica a formar-se nas dorsais, há crosta a ser destruída noutras zonas, nas zonas de subducção. O Atlântico está a alargar-se, mas o Pacífico, rodeado de zonas de subducção, está a encolher. Daqui a algumas dezenas de milhões de anos, os continentes poderão voltar a juntar-se num novo supercontinente.
A dorsal médio-atlântica continua hoje ativa: a placa Sul-Americana afasta-se da placa Africana a uma velocidade média de cerca de $2,5\ \text{cm}$ por ano. a) Calcula,…
A dorsal médio-atlântica continua hoje ativa: a placa Sul-Americana afasta-se da placa Africana a uma velocidade média de cerca de $2,5\ \text{cm}$ por ano.
- a) Calcula, em quilómetros, de quanto se alargará o oceano Atlântico, a esta latitude, ao fim de 1 milhão de anos, supondo que a velocidade se mantém constante.
- b) O Atlântico alarga-se enquanto, noutras regiões do planeta, os oceanos se fecham por subducção. Indica o que este facto revela sobre a evolução paleogeográfica futura da Terra.
- c) Explica por que razão uma previsão da posição dos continentes daqui a 100 milhões de anos, feita por simples extrapolação das velocidades atuais, tem um grau de incerteza elevado.
Em resumo
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Os continentes já estiveram unidos na Pangeia (~250 Ma), apoiada por evidências morfológicas, paleontológicas, paleoclimáticas e litológicas.
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A Pangeia fragmentou-se em Laurásia e Gondwana; depois, abriram-se o Atlântico Sul e o Atlântico Norte.
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A colisão da Índia com a Ásia levantou os Himalaias; o fecho do Tétis originou os Alpes.
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A distância de afastamento calcula-se com $d = v \times t$; $2{,}5\ \text{cm/ano} = 25\ \text{km/Ma}$.
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Onde se cria crosta (dorsais) tem de se destruir crosta (subducção). As previsões a longo prazo são incertas.
De volta ao início: o encaixe da América do Sul com África não é coincidência; resulta de os dois continentes terem feito parte da Pangeia.