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12.º ano A · Geologia
A História da Terra: unidades do tempo geológico · Datação do tempo geológico

Datação relativa e datação absoluta

Numa arriba do litoral alentejano vês camadas de rocha empilhadas, como as páginas de um livro, e um filão escuro a atravessá-las. Quem chegou primeiro: as camadas ou o filão? E há quantos milhões de anos? São duas perguntas diferentes, e a Geologia responde-lhes com dois tipos de datação.

Datação relativa: quem veio antes?

A datação relativa ordena acontecimentos e rochas do mais antigo para o mais recente, sem dizer quantos anos passaram. Responde a «antes» e «depois». Apoia-se em princípios lógicos.

Corte com quatro estratos horizontais numerados de 1 (o mais antigo, em baixo) a 4 (o mais recente, em cima), atravessados por um filão vertical 4 (mais recente) 3 2 1 (mais antigo) filão
Princípio Ideia
Horizontalidade original Os estratos formam-se na horizontal; se estão inclinados, foram deformados depois.
Sobreposição Numa sequência não deformada, cada estrato é mais recente do que o que está por baixo.
Continuidade lateral Um estrato prolonga-se em todas as direções até se acabar o material. Camadas iguais separadas por um vale foram uma só.
Identidade paleontológica Estratos com os mesmos fósseis de idade (fósseis de idade) têm a mesma idade.
Intersecção Uma estrutura que corta outra (falha, filão) é mais recente do que a que é cortada.
Inclusão Um fragmento incluído numa rocha é mais antigo do que a rocha que o contém.

Na figura, o filão corta os quatro estratos: pelo princípio da intersecção, é mais recente do que todos eles. Entre os estratos, pelo da sobreposição, a ordem é 1, 2, 3, 4.

Pratica★★☆Por começar
Numa saída de campo a uma arriba do litoral alentejano, uma turma observou uma sequência de estratos sedimentares horizontais cortada por um filão de rocha magmática. No…

Numa saída de campo a uma arriba do litoral alentejano, uma turma observou uma sequência de estratos sedimentares horizontais cortada por um filão de rocha magmática. No estrato mais antigo havia fósseis de amonites, e um laboratório datou o filão por métodos radiométricos em $98\ \text{Ma}$ (milhões de anos).

  1. a) Indica os princípios da datação relativa que permitem concluir que o filão é mais recente do que os estratos que corta.
  2. b) Classifica os dois tipos de informação obtidos (a posição relativa dos estratos e o valor de $98\ \text{Ma}$) como datação relativa ou datação absoluta, justificando.
  3. c) Explica o que se pode concluir sobre a idade dos estratos que o filão corta e sobre a idade dos materiais que eventualmente se depositaram por cima do filão.
  4. d) Indica a era e o período da tabela cronoestratigráfica a que pertence a idade de $98\ \text{Ma}$ (consulta: Cretácico, de $145\ \text{Ma}$ a $66\ \text{Ma}$).
Resolver

Datação absoluta: há quantos anos?

A datação absoluta (ou radiométrica) dá uma idade numérica, em anos (ka, Ma, Ga). Usa a radioatividade: alguns isótopos instáveis, os isótopos-pai, transformam-se espontaneamente noutros, os isótopos-filho, a um ritmo constante, que nenhuma temperatura ou pressão altera.

O ritmo mede-se pelo período de semivida ($t_{1/2}$): o tempo que leva a desintegrar-se metade dos átomos do isótopo-pai. Passada uma semivida, resta $\tfrac12$ do isótopo-pai; passadas duas, $\tfrac14$; passadas três, $\tfrac18$.

Medindo no laboratório a proporção entre isótopo-pai e isótopo-filho numa amostra, calcula-se há quanto tempo o mineral se formou, isto é, quando o sistema ficou «fechado».

As duas datações em conjunto

Cada método tem a sua limitação. A datação relativa ordena, mas não mede. A datação radiométrica mede, mas funciona sobretudo em rochas magmáticas, cujos minerais cristalizam a partir do magma e «fecham» o relógio. Nas rochas sedimentares, os grãos vêm de rochas mais antigas, de várias idades e erodidas: datá-los dá a idade da rocha de origem, não a da deposição do estrato.

A solução é combinar. Quando uma camada de cinza vulcânica se deposita entre estratos sedimentares, forma-se de uma só vez e os seus minerais podem ser datados. Os estratos por baixo são mais antigos do que ela e os de cima mais recentes (sobreposição); os fósseis (identidade paleontológica) permitem depois «transportar» a idade para outras regiões.

Camada de cinza vulcânica datada intercalada entre estratos sedimentares: os de baixo são mais antigos e os de cima mais recentes estratos mais recentes que a cinza cinza datada estratos mais antigos que a cinza estratos ainda mais antigos

É assim que se obtêm, na maioria dos casos, as idades dos limites da tabela cronostratigráfica: o limite fica entre estratos reconhecidos pelos fósseis, e a idade em Ma vem da cinza datada mais próxima.

Pratica★★★Por começar
A tabela cronoestratigráfica atual resulta da combinação de dois tipos de datação. As idades absolutas dos limites entre períodos obtêm-se, na maioria dos casos, datando…

A tabela cronoestratigráfica atual resulta da combinação de dois tipos de datação. As idades absolutas dos limites entre períodos obtêm-se, na maioria dos casos, datando radiometricamente camadas de cinza vulcânica intercaladas nos estratos sedimentares.

  1. a) Explica por que razão não é possível datar diretamente, por métodos radiométricos, a maioria das rochas sedimentares, e por que razão as camadas de cinza vulcânica são tão úteis.
  2. b) Uma camada de cinza encontra-se imediatamente abaixo de estratos com fósseis típicos do início do Cretácico e foi datada em $145\ \text{Ma}$. Explica como esta informação fixa na escala numérica o limite Jurássico-Cretácico.
  3. c) Num outro local, a mesma camada de cinza foi datada em $143\ \text{Ma}$ por um laboratório diferente. Discute o que esta diferença significa para a precisão das idades da tabela e por que razão a tabela cronoestratigráfica é periodicamente revista pela Comissão Internacional de Estratigrafia.
Resolver

Em resumo

  • A datação relativa ordena acontecimentos (antes/depois) com seis princípios: horizontalidade original, sobreposição, continuidade lateral, identidade paleontológica, intersecção e inclusão.

  • A datação absoluta dá idades em anos, usando a desintegração de isótopos-pai em isótopos-filho a ritmo constante.

  • O período de semivida é o tempo necessário para se desintegrar metade do isótopo-pai: $n$ semividas dão a idade $n \times t_{1/2}$.

  • A datação radiométrica serve sobretudo em rochas magmáticas e em cinzas vulcânicas, não nos grãos de rochas sedimentares.

  • A tabela cronostratigráfica combina as duas: fósseis e sobreposição situam os limites; cinzas datadas dão-lhes a idade em Ma.

  • De volta ao início: o filão da arriba é mais recente do que os estratos (intersecção), e a sua idade de $98\ \text{Ma}$ vem da datação radiométrica.

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