As deformações das rochas
Numa pedreira do Douro, os xistos aparecem dobrados em ondas, e, mesmo ao lado, um quartzito está partido em blocos angulosos. Ambos sofreram empurrões do mesmo tipo. Porque é que a mesma força dobra umas rochas e parte outras? A resposta depende da rocha, da temperatura, da pressão e da velocidade com que a tensão é aplicada.
Tensões e tipos de deformação
Num talude de estrada vês estratos de calcário dobrados em ondas contínuas e, poucos metros ao lado, os mesmos estratos cortados em blocos por fraturas nítidas. Que grandeza física descreve a força aplicada e decide se a rocha se dobra ou se parte?
Quando uma rocha é sujeita a uma tensão, deforma-se. Há três comportamentos possíveis, que se sucedem à medida que a tensão aumenta:
Distingue entre deformação elástica, plástica e frágil, e indica qual das três é reversível quando a tensão cessa.
Distingue entre deformação elástica, plástica e frágil, e indica qual das três é reversível quando a tensão cessa.
O que é a tensão em geologia? Refere os três tipos (compressiva, distensiva e de corte) e uma estrutura típica gerada por cada um.
O que é a tensão em geologia? Refere os três tipos (compressiva, distensiva e de corte) e uma estrutura típica gerada por cada um.
O que faz uma rocha ser dúctil ou frágil
O comportamento não é uma «etiqueta» fixa de cada rocha. Depende das condições em que a deformação acontece.
| Fator | Favorece o comportamento dúctil | Favorece o comportamento frágil |
|---|---|---|
| Temperatura | alta (maior profundidade) | baixa (perto da superfície) |
| Pressão confinante | alta | baixa |
| Velocidade da deformação | lenta | rápida (um impacto, um sismo) |
| Tipo de rocha | rochas pouco rígidas (argilas, xistos, sal-gema) | rochas rígidas (quartzito, granito) |
Porquê? A temperatura elevada enfraquece as ligações entre os minerais e permite que a rede cristalina «flua» sem se partir. A pressão confinante «aperta» a rocha e impede que as microfraturas se abram e se propaguem. Uma deformação muito lenta dá tempo aos cristais para se reajustarem; uma deformação brusca não.
Sujeitas à mesma tensão compressiva, determinados xistos dobram-se enquanto um quartzito se fratura em diaclases. Explica que propriedades de cada rocha e que condições…
Sujeitas à mesma tensão compressiva, determinados xistos dobram-se enquanto um quartzito se fratura em diaclases. Explica que propriedades de cada rocha e que condições externas (temperatura, pressão confinante, velocidade da deformação) favorecem cada comportamento.
Num laboratório de geodinâmica submetem-se provetes cilíndricos idênticos de calcário a três ensaios de deformação triaxial: Ensaio A: a $400\ ^\circ\text{C}$ e…
Num laboratório de geodinâmica submetem-se provetes cilíndricos idênticos de calcário a três ensaios de deformação triaxial:
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Ensaio A: a $400\ ^\circ\text{C}$ e $400\ \text{MPa}$ (equivalentes a cerca de $15\ \text{km}$ de profundidade), deformada a uma velocidade muito lenta de $10^{-14}\ \text{s}^{-1}$ (velocidade tectónica típica).
-
Ensaio B: a idêntica temperatura e pressão de confinamento que o ensaio A, mas deformada bruscamente a $10^{-3}\ \text{s}^{-1}$.
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Ensaio C: a velocidade lenta ($10^{-14}\ \text{s}^{-1}$), mas a $40\ ^\circ\text{C}$ e $25\ \text{MPa}$ (condições de $1\ \text{km}$ de profundidade).
- a) Prevê fundamentadamente o tipo de deformação (frágil ou dúctil) que o provete experimentará em cada ensaio e desenha esquematicamente a curva tensão-deformação esperada para os ensaios A e C.
- b) Justifica a nível mecânico por que razão um aumento drástico na velocidade de deformação (ensaio B) modifica a resposta da rocha mesmo que se mantenha em condições profundas de alta temperatura e pressão.
- c) Nas zonas de subducção registam-se sismos frágeis a profundidades superiores a $60\ \text{km}$, onde a pressão e a temperatura deveriam impedir a fratura. Formula uma hipótese fundamentada baseada no papel dos fluidos intersticiais (pressão de poros) para explicar esta anomalia.
Dobras: elementos e simetria
Nas arribas do litoral veem-se camadas de rocha sedimentar curvadas em ondas, como um acordeão comprimido. Que elementos geométricos permitem descrever com rigor a forma de uma dobra?
Define os elementos de uma dobra: charneira, flancos e plano axial. O que indica a orientação do plano axial quanto à simetria da dobra?
Define os elementos de uma dobra: charneira, flancos e plano axial. O que indica a orientação do plano axial quanto à simetria da dobra?
Que diferença existe entre uma dobra simétrica e uma assimétrica? O que indica a vergência de uma dobra sobre o sentido da compressão?
Que diferença existe entre uma dobra simétrica e uma assimétrica? O que indica a vergência de uma dobra sobre o sentido da compressão?
Antiformas, sinformas, anticlinais e sinclinais
Um geólogo olha para um corte e vê uma «curva para cima» e uma «curva para baixo». Basta a forma para saber que tipo de dobra tem à frente?
Há dois critérios, e convém não os misturar:
Numa sequência normal (sem inversões), uma antiforma é um anticlinal e uma sinforma é um sinclinal. É a situação habitual nos exercícios, e por isso, num corte sem datas, a forma permite-te responder. Mas, se os estratos estiverem invertidos, só a idade manda.
O que é uma dobra anticlinal e o que é uma sinclinal? Indica onde se encontram os materiais mais antigos em cada uma: no núcleo ou nos flancos?
O que é uma dobra anticlinal e o que é uma sinclinal? Indica onde se encontram os materiais mais antigos em cada uma: no núcleo ou nos flancos?
Num corte do terreno observam-se duas estruturas tetónicas numeradas: a estrutura 1 apresenta uma curvatura com convexidade para cima e a estrutura 2 apresenta uma…
Num corte do terreno observam-se duas estruturas tetónicas numeradas: a estrutura 1 apresenta uma curvatura com convexidade para cima e a estrutura 2 apresenta uma curvatura com concavidade para cima. Indica que número corresponde a uma dobra anticlinal e qual a uma sinclinal, e explica o critério que utilizaste para as distinguir.
Relevo invertido
Seria natural pensar que um anticlinal forma sempre um monte e um sinclinal sempre um vale. Nem sempre é assim.
Na charneira de um anticlinal, a rocha foi esticada na parte de cima e fica fraturada, por isso é mais fácil de erodir. A erosão escava aí um vale. Já o núcleo de um sinclinal, comprimido, fica mais compacto e resiste melhor, ficando em cume. Este fenómeno chama-se inversão do relevo e é um caso de erosão diferencial.
Como reconhecê-lo? Observa a idade dos estratos: no fundo do vale, se os estratos mergulham para longe do eixo e os mais antigos estão no centro, a estrutura é um anticlinal, mesmo que a paisagem seja um vale.
Nos Apalaches, os núcleos dos anticlinais formam vales e os sinclinais coroam os cumes. Explica esta inversão do relevo com base na erosão diferencial sobre as rochas…
Nos Apalaches, os núcleos dos anticlinais formam vales e os sinclinais coroam os cumes. Explica esta inversão do relevo com base na erosão diferencial sobre as rochas fraturadas da charneira do anticlinal.
Numa prospeção geológica para o traçado de um túnel, a cartografia revela que ao longo de um vale linear os estratos inclinam $40^\circ$ em direções opostas,…
Numa prospeção geológica para o traçado de um túnel, a cartografia revela que ao longo de um vale linear os estratos inclinam $40^\circ$ em direções opostas, afastando-se do eixo do vale; os fósseis encontrados no fundo do vale pertencem ao Triásico, enquanto nas cimeiras circundantes pertencem ao Jurássico.
- a) Determina a estrutura tectónica subjacente ao vale e justifica por que razão a topografia atual representa um caso de relevo invertido (inversão do relevo).
- b) Explica o mecanismo de erosão diferencial que permitiu que o núcleo da estrutura, sendo originalmente a zona estruturalmente mais elevada, se tenha transformado numa depressão (combe anticlinal), indicando o papel da fraturação na charneira.
- c) Se se projetar perfurar o túnel perpendicularmente ao eixo do vale a $100\ \text{m}$ de profundidade sob o seu fundo, prevê duas dificuldades geomecânicas ou hidrogeológicas que a equipa técnica encontrará ao atravessar a zona da charneira.
Diaclases
Nas pedreiras de granito e de mármore veem-se fraturas por toda a parte. Nuns casos, a rocha continua «inteira» dos dois lados; noutros, uma camada aparece cortada e desencontrada. Em que se distinguem?
As diaclases formam-se por deformação frágil e muitas vezes organizam-se em famílias paralelas. Têm duas consequências práticas:
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facilitam a extração de blocos nas pedreiras, porque a rocha já tem planos de fraqueza por onde se separa;
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reduzem a qualidade da rocha ornamental: uma rocha muito diaclasada parte-se em blocos pequenos e não permite obter peças grandes (lajes, colunas).
Explica a diferença entre uma falha e uma diáclase. Em qual das duas ocorre deslocamento relativo dos blocos?
Explica a diferença entre uma falha e uma diáclase. Em qual das duas ocorre deslocamento relativo dos blocos?
As diaclases facilitam a extração de blocos nas pedreiras, mas reduzem a qualidade da rocha ornamental. Explica ambas as afirmações e justifica por que razão uma rocha…
As diaclases facilitam a extração de blocos nas pedreiras, mas reduzem a qualidade da rocha ornamental. Explica ambas as afirmações e justifica por que razão uma rocha muito diaclasada não serve para a obtenção de peças de grandes dimensões.
Falhas: elementos e tipos
Numa falha, o terreno de um lado deslizou em relação ao outro. Para a descrever, usam-se alguns elementos e dois sentidos de movimento.
Teto e muro dependem apenas da posição em relação ao plano, e não de se terem movido para cima ou para baixo. Já «levantado» e «abatido» descrevem o movimento relativo.
Os limites entre placas tectónicas mostram estas tensões à grande escala: em limites divergentes há distensão, e em limites convergentes há compressão. Nas duas simulações seguintes, repara no movimento das placas e no tipo de tensão associado.
O que é uma falha normal e sob que tipo de tensão se origina? Dá um exemplo de estrutura associada à distensão crustal.
O que é uma falha normal e sob que tipo de tensão se origina? Dá um exemplo de estrutura associada à distensão crustal.
Numa falha distinguem-se o bloco levantado (teto ou muro, consoante o tipo) e o bloco abatido. Explica como se reconhecem no campo a partir da deslocação dos estratos.
Numa falha distinguem-se o bloco levantado (teto ou muro, consoante o tipo) e o bloco abatido. Explica como se reconhecem no campo a partir da deslocação dos estratos.
Na mesma imagem do corte, localiza as duas falhas numeradas e justifica qual é normal e qual é inversa de acordo com a deslocação relativa dos seus blocos. Que tipo de…
Na mesma imagem do corte, localiza as duas falhas numeradas e justifica qual é normal e qual é inversa de acordo com a deslocação relativa dos seus blocos. Que tipo de tensão, distensiva ou compressiva, originou cada uma?

Cavalgamentos, rejeito, *graben* e *horst*
Algumas associações de falhas têm nome próprio e aparecem com frequência nos exercícios.
Num sistema de falhas normais, os blocos podem ficar abatidos ou levantados em relação aos vizinhos:
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Fossa tectónica (graben): bloco abatido entre duas falhas normais.
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Pilar tectónico (horst): bloco elevado entre duas falhas normais.
Ambos se formam sob um regime de distensão. Exemplos: o Rift da África Oriental é um conjunto de fossas tectónicas; a Floresta Negra e os Vosges, na Europa, são pilares limitando a fossa do Reno.
Rejeito. É o deslocamento entre dois pontos que antes estavam em contacto. Se numa falha normal o teto de uma camada de calcário está deslocado 120 m na vertical, o rejeito vertical é de 120 m. Se a falha tiver também componente de desligamento, o rejeito vertical já não chega: é preciso conhecer também o deslocamento horizontal (por exemplo, pelo desencontro de uma estrutura linear em planta). Só assim se obtém a deslocação total.
Distingue entre falha inversa e cavalgamento, e explica por que razão ambas as estruturas implicam um encurtamento da crosta. Que inclinação costuma ter o plano de um…
Distingue entre falha inversa e cavalgamento, e explica por que razão ambas as estruturas implicam um encurtamento da crosta. Que inclinação costuma ter o plano de um cavalgamento?
Num corte, o teto de uma camada de calcário surge deslocado $120\ \text{m}$ na vertical por uma falha. Explica o que é o rejeito de uma falha e que informação adicional…
Num corte, o teto de uma camada de calcário surge deslocado $120\ \text{m}$ na vertical por uma falha. Explica o que é o rejeito de uma falha e que informação adicional seria necessária para conhecer a deslocação total se a falha tivesse também uma componente de desligamento.
Um bloco abatido entre duas falhas normais forma uma fossa tectónica (graben*), e o bloco elevado entre elas, um pilar tectónico (horst*). Explica que regime de tensões…
Um bloco abatido entre duas falhas normais forma uma fossa tectónica (graben), e o bloco elevado entre elas, um pilar tectónico (horst). Explica que regime de tensões os origina e refere um exemplo de cada estrutura.
Ler um corte geológico
Nos exercícios mais difíceis tens de reconstruir a história de uma região a partir de um corte. Ajudam-te estes princípios de cronologia relativa:
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Horizontalidade original: os estratos formam-se na horizontal. Se estão inclinados ou dobrados, foram deformados depois.
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Sobreposição: numa sequência não deformada, o estrato de baixo é mais antigo que o de cima.
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Interseção: uma estrutura que corta outras (uma falha, uma intrusão) é posterior às que corta.
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Continuidade lateral: um estrato prolonga-se lateralmente até se esgotar ou passar a outro material.
Algumas pistas para interpretar falhas:
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Estrias e degraus no plano de falha indicam a direção e o sentido do movimento.
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Os estratos que se curvam junto do plano (dobras de arrastamento) mostram o sentido em que o bloco se moveu.
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Se uma falha corta as dobras, é posterior a elas. Se as dobras deformam a falha, a falha é anterior.
No relatório preliminar de uma obra civil sobre o perfil geológico da imagem afirma-se que: «As falhas originaram-se primeiro em regime distensivo e, posteriormente, um…
No relatório preliminar de uma obra civil sobre o perfil geológico da imagem afirma-se que: «As falhas originaram-se primeiro em regime distensivo e, posteriormente, um episódio compressivo dobrou tanto os estratos como as falhas preexistentes».
- a) Rebate de forma fundamentada a hipótese do relatório: analisa a geometria das estruturas observáveis na imagem e indica que princípios de cronologia relativa essa interpretação contradiz.
- b) Reconstrói de forma fundamentada a sequência temporal dos processos que modelaram este setor (sedimentação, deformações tectónicas e erosão).
- c) Deduz e justifica como mudou o regime de tensões tectónicas (ou as condições físicas de deformação) entre o momento em que se geraram as dobras e o momento em que atuaram as falhas que as cortam.

Na frente de uma pedreira aflora um plano de falha inclinado $60^\circ$ para oeste que põe em contacto dois blocos (bloco ocidental e bloco oriental). Registam-se as…
Na frente de uma pedreira aflora um plano de falha inclinado $60^\circ$ para oeste que põe em contacto dois blocos (bloco ocidental e bloco oriental). Registam-se as seguintes observações:
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O bloco oriental contém uma camada-guia de calcário a $10\ \text{m}$ de profundidade, enquanto no bloco ocidental a mesma camada surge a $35\ \text{m}$.
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No plano de atrito observam-se estrias segundo a linha de maior declive e degraus de falha cujo ressalto áspero ao tacto se nota ao deslizar a mão para baixo pelo bloco oriental.
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Os estratos do bloco ocidental curvam-se para cima à medida que se aproximam da fratura.
- a) Determina de forma justificada qual dos dois blocos é o teto e qual é o muro da falha a partir da inclinação do plano.
- b) Interpreta os indicadores cinemáticos (degraus e curvatura dos estratos) e deduz o movimento relativo dos blocos.
- c) Um técnico afirma que a falha é normal «porque a camada de calcário está mais baixa no bloco ocidental». Refuta ou matiza a sua conclusão analisando a coerência entre o deslocamento líquido observável e os indicadores cinemáticos dinâmicos (arrastamentos e estrias).
Ao levantar uma coluna geológica observa-se uma repetição estratigráfica: Margas (Cretácico) $\rightarrow$ Arenitos (Paleoceno) $\rightarrow$ Calcários (Eoceno)…
Ao levantar uma coluna geológica observa-se uma repetição estratigráfica: Margas (Cretácico) $\rightarrow$ Arenitos (Paleoceno) $\rightarrow$ Calcários (Eoceno) $\rightarrow$ Margas (Cretácico) $\rightarrow$ Arenitos (Paleoceno) $\rightarrow$ Calcários (Eoceno). O contacto intermédio entre os calcários inferiores e as margas superiores é uma superfície nítida inclinada $30^\circ$ que corta obliquamente as camadas.
- a) Propõe duas hipóteses geológicas diferentes para justificar a referida repetição: uma estrutural baseada num acidente tectónico e outra estratigráfica baseada numa dobra deitada erodida.
- b) Concebe três verificações de campo (critérios de polaridade sedimentar, microestruturas no plano de contacto e datação relativa do contacto em relação às camadas) que permitam decidir qual das duas hipóteses é a correta.
- c) Se a polaridade sedimentar em ambas as sequências estiver orientada para o teto (para cima) e na superfície de contacto se encontrar uma brecha tectónica com estrias que mostram inclinação para a base, conclui que tipo concreto de estrutura geológica atuou e deduz o regime tectónico responsável.
Falhas ativas e risco sísmico
Esta secção liga a geodinâmica interna à gestão dos recursos geológicos. O conhecimento das estruturas tectónicas ajuda a localizar jazigos, aquíferos e a escolher locais seguros para obras.
Os recursos geológicos (água, solo, minerais, rochas e combustíveis fósseis) dividem-se em renováveis, que se regeneram à escala humana (como a água de um aquífero bem gerido), e não renováveis, que se formaram ao longo de milhões de anos (petróleo, carvão, minérios). A exploração tem impactes: alteração da paisagem, contaminação de águas e solos e esgotamento. Por isso, a exploração sustentável retira apenas o que pode ser reposto, reduz os impactes e reaproveita os materiais.
Estudos geodésicos mediante GPS e interferometria radar (InSAR) num troço de $30\ \text{km}$ da falha de Alhama de Murcia indicam que os blocos de ambos os lados se…
Estudos geodésicos mediante GPS e interferometria radar (InSAR) num troço de $30\ \text{km}$ da falha de Alhama de Murcia indicam que os blocos de ambos os lados se deslocam a uma velocidade relativa de $1,5\ \text{mm/ano}$. No entanto, os sensores situados exatamente sobre o traço em superfície registam velocidade nula há mais de 400 anos e quase não há microssismicidade.
- a) Aplica a teoria do ressalto elástico para explicar o estado mecânico desse setor da falha e justifica por que razão a ausência prolongada de sismos não implica segurança, mas sim um aumento da perigosidade.
- b) Calcula o deslocamento acumulado que permanece elasticamente bloqueado após 400 anos e compara o efeito mecânico da sua libertação instantânea face ao de um setor que se mova por reptação assísmica contínua (creep).
- c) Se noutro segmento da mesma falha forem medidos $1,5\ \text{mm/ano}$ de deslizamento superficial contínuo acompanhado de microssismos quase imperceptíveis, deduz fundamentadamente qual dos dois segmentos apresenta maior risco de originar um terramoto destruidor a curto ou médio prazo.
O sismo de Lorca de 2011 teve uma magnitude de momento moderada ($M_w\ 5,1$), mas causou 9 vítimas mortais e danos graves (intensidade VIII), enquanto o sismo de 2010 na…
O sismo de Lorca de 2011 teve uma magnitude de momento moderada ($M_w\ 5,1$), mas causou 9 vítimas mortais e danos graves (intensidade VIII), enquanto o sismo de 2010 na costa de Granada, de magnitude muito maior ($M_w\ 6,3$), causou apenas danos materiais ligeiros.
- a) Justifica fisicamente a disparidade de danos entre ambos os eventos a partir da relação entre magnitude, profundidade focal (distância hipocentral) e aceleração máxima do solo.
- b) Em Lorca, os edifícios situados sobre sedimentos aluviais quaternários sofreram danos notavelmente maiores do que os assentes sobre substrato rochoso coeso a curta distância. Explica este fenómeno analisando a velocidade de propagação, a amplitude e a atenuação das ondas sísmicas (efeito de sítio).
- c) A partir destes dados, argumenta por que razão um plano de ordenamento do território que classifique o risco sísmico baseando-se exclusivamente na distância às falhas ativas é insuficiente, e indica que fatores geológicos complementares devem ser incluídos nos mapas de microzonamento sísmico.
Numa faixa de deformação cortical de $300\ \text{m}$ de largura que atravessa um maciço granítico observa-se a seguinte transição: Para o núcleo da faixa, o granito…
Numa faixa de deformação cortical de $300\ \text{m}$ de largura que atravessa um maciço granítico observa-se a seguinte transição:
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Para o núcleo da faixa, o granito original passa a uma rocha de grão finíssimo com bandamento contínuo, grãos de quartzo estirados dinamicamente e feldspatos rodados (milonito).
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Cortando e triturando esse milonito, surgem planos de fratura limpos com brechas angulosas e pó de rocha sem coesão nem orientação cristalina (cataclasitos).
- a) Analisa os mecanismos de deformação mineral dominantes no milonito face ao cataclasito e deduz em que regime cortical (dúctil ou frágil) se formou cada um.
- b) Justifica que informação fornece a sobreposição no mesmo afloramento de cataclasitos sobre milonitos acerca da história de levantamento (exumação) e da evolução térmica desse bloco orogénico.
- c) Se a análise cinemática dos porfiroclastos do milonito indicar movimento inverso (compressivo), mas as estrias nos planos cataclásticos indicarem movimento normal (distensivo), elabora uma reconstrução geodinâmica fundamentada da evolução tectónica dessa zona de falha.
Voltemos ao princípio: os xistos comportaram-se de forma dúctil e dobraram-se; o quartzito, mais rígido, ultrapassou o limite de rotura e fraturou-se em diaclases.
Modelos analógicos
Não podemos ver as dobras e as falhas a formarem-se, porque demoram milhões de anos. Como estudá-las em laboratório?
Um modelo analógico simula a deformação com materiais que se comportam de forma semelhante às rochas, à escala reduzida.