As rochas sedimentares
Numa falésia algarvia, arenitos com estratificação entrecruzada assentam sobre margas com fósseis marinhos. O que contam estas camadas? Que, naquele local, um mar se retirou e chegaram rios ou dunas. As rochas sedimentares são o grande arquivo da história da Terra: guardam os ambientes, o clima e a vida do passado.
Do sedimento à rocha: sedimentogénese e diagénese
Pisamos areia solta e encharcada na praia, mas na falésia ao lado há estratos de arenito duros e coesos. Como é que um depósito de partículas soltas se transforma numa rocha compacta?
Repara que a rocha tem menos espessura do que o sedimento que lhe deu origem. Foi a água dos poros que saiu. Como o volume dos grãos (a fração sólida) não muda, podes calcular a espessura inicial do sedimento:
$$\text{espessura inicial} = \text{espessura atual} \times \frac{1 - \text{porosidade atual}}{1 - \text{porosidade inicial}}$$Que processos compõem a diagénese? Descreve sucintamente a compactação e a cimentação.
Que processos compõem a diagénese? Descreve sucintamente a compactação e a cimentação.
a) Define o que é um sedimento. b) Cita três exemplos de sedimentos atuais e indica o ambiente sedimentar em que cada um se deposita.
- a) Define o que é um sedimento.
- b) Cita três exemplos de sedimentos atuais e indica o ambiente sedimentar em que cada um se deposita.
Tipos de rochas sedimentares
Numa ribeira de montanha vês calhaus rolados, numa planície vês lodo argiloso, numa salina costeira crostas brancas de sal e num recife massas de conchas. Que processos tão diferentes originam rochas sedimentares tão diferentes?
Ordena estas rochas detríticas do maior para o menor calibre dos grãos: argilito, conglomerado, siltito e arenito. Que informação fornece o calibre dos grãos sobre a…
Ordena estas rochas detríticas do maior para o menor calibre dos grãos: argilito, conglomerado, siltito e arenito. Que informação fornece o calibre dos grãos sobre a energia do meio de sedimentação?
O que é um sedimento detrítico e em que se distingue de um de origem química ou biogénica? Apresenta um exemplo de rocha de cada tipo.
O que é um sedimento detrítico e em que se distingue de um de origem química ou biogénica? Apresenta um exemplo de rocha de cada tipo.
Os evaporitos (gesso, halite) formam-se em bacias marinhas restritas sob clima árido. Explica o processo e fundamenta o que a sua presença no subsolo do Mesozoico…
Os evaporitos (gesso, halite) formam-se em bacias marinhas restritas sob clima árido. Explica o processo e fundamenta o que a sua presença no subsolo do Mesozoico português indica sobre o clima dessa época.
Um recife de coral fóssil forma um corpo de calcário maciço rodeado por camadas inclinadas de fragmentos. Explica como cresce um recife, o que são os seus taludes e o…
Um recife de coral fóssil forma um corpo de calcário maciço rodeado por camadas inclinadas de fragmentos. Explica como cresce um recife, o que são os seus taludes e o que o conjunto indica sobre o ambiente.
Estruturas sedimentares
Numa pedreira de arenito encontras lâminas inclinadas iguais às das dunas atuais, ondulações como as da beira-mar e fendas poligonais de lama seca. Como é que simples marcas na pedra revelam o ambiente, a corrente e o clima de há milhões de anos?
Sequências, correntes de turbidez e tempestades
Uma sequência granodecrescente (grão cada vez mais fino para cima) regista perda de energia do meio. Uma sequência granocrescente regista o contrário: aumento de energia (por exemplo, um rio que avança sobre uma planície). Num leque aluvial, uma gradação inversa pode surgir quando um fluxo de detritos denso mantém os blocos grandes à superfície.
Dois depósitos têm base erosiva e gradação normal, mas origens diferentes:
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Turbidito: depositado por uma corrente de turbidez, um fluxo de sedimentos que desce o talude continental e se deposita no fundo, em águas profundas, abaixo da ação das ondas.
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Tempestito: depositado por tempestades que remexem a plataforma. A tempestade ergue sedimentos, que depois decantam, em águas menos profundas, entre o nível de acalmia e o das ondas de tempestade.
Em ambos, a base erosiva e a gradação registam um evento breve e energético, seguido de acalmia.
Os recifes e os evaporitos
Um recife de coral cresce em águas quentes, límpidas e pouco profundas: os corais constroem um corpo de calcário maciço, e as ondas desfazem os bordos em fragmentos que se acumulam nos taludes inclinados em redor. Os evaporitos indicam bacias restritas e clima árido (secção anterior).
O que são estruturas sedimentares e que tipo de informação fornecem sobre o ambiente de deposição? Aponta três exemplos.
O que são estruturas sedimentares e que tipo de informação fornecem sobre o ambiente de deposição? Aponta três exemplos.
As marcas de ondulação (ripples*) e as fendas de dessecação são estruturas frequentes. Explica o que cada uma indica sobre o ambiente e o nível da água no momento da…
As marcas de ondulação (ripples) e as fendas de dessecação são estruturas frequentes. Explica o que cada uma indica sobre o ambiente e o nível da água no momento da deposição.
Observa a camada sedimentar do esquema, na qual a granulometria diminui da base para o topo (gradação normal ou seleção granulométrica): a) Explica como se forma essa…
Observa a camada sedimentar do esquema, na qual a granulometria diminui da base para o topo (gradação normal ou seleção granulométrica):
- a) Explica como se forma essa estrutura durante o processo de deposição dos sedimentos.
- b) Indica que processo submarino característico a produz.
Arenitos com estratificação entrecruzada e marcas de ondulação (ripples*) surgem sobre margas com restos de fauna marinha. Interpreta a mudança de ambiente sedimentar…
Arenitos com estratificação entrecruzada e marcas de ondulação (ripples) surgem sobre margas com restos de fauna marinha. Interpreta a mudança de ambiente sedimentar que essas camadas registam.
A estratificação entrecruzada forma lâminas inclinadas dentro de um estrato. Explica como se gera na frente de uma duna ou de um ripple* e o que permite deduzir sobre a…
A estratificação entrecruzada forma lâminas inclinadas dentro de um estrato. Explica como se gera na frente de uma duna ou de um ripple e o que permite deduzir sobre a direção da corrente que a produziu.
Distingue as sequências granodecrescentes e granocrescentes e explica que variação da energia do meio cada uma regista. Que processo pode produzir uma granularidade…
Distingue as sequências granodecrescentes e granocrescentes e explica que variação da energia do meio cada uma regista. Que processo pode produzir uma granularidade inversa num leque aluvial?
Os tempestitos são camadas com base erosiva e gradação que as tempestades depositam na plataforma marinha. Explica como se formam e em que diferem de um turbidito…
Os tempestitos são camadas com base erosiva e gradação que as tempestades depositam na plataforma marinha. Explica como se formam e em que diferem de um turbidito (processo e posição na plataforma).
As orientações das estratificações entrecruzadas e dos ripples* são utilizadas como indicadores de paleocorrentes. Explica como se medem no campo e que mapas…
As orientações das estratificações entrecruzadas e dos ripples são utilizadas como indicadores de paleocorrentes. Explica como se medem no campo e que mapas paleogeográficos (direção dos rios, posição da linha de costa) ajudam a reconstruir.
Fósseis e datação relativa
Numa mesma arriba há camadas com conchas, camadas inclinadas e camadas horizontais por cima. Como se sabe qual é mais antiga e como se compara a idade de rochas de sítios diferentes?
Lê o corte: A, B e C estão empilhados, por isso A é o mais antigo (sobreposição). A falha corta os três estratos, portanto é posterior a eles (interseção). O filão corta tudo, logo é ainda mais recente do que os estratos que atravessa. O fragmento de A dentro do filão é mais antigo do que o filão (inclusão).
Discordâncias
Uma discordância é uma superfície que marca uma lacuna no registo: erosão ou ausência de deposição durante um intervalo de tempo. Se os estratos de baixo estão inclinados e truncados pelos de cima, a discordância é angular: houve deformação, erosão e só depois nova sedimentação. Se os estratos de cima e de baixo são paralelos, a discordância é paralela.
O que é um fóssil? Explica que condições, como o soterramento rápido, a presença de partes duras ou o ambiente redutor, favorecem a fossilização.
O que é um fóssil? Explica que condições, como o soterramento rápido, a presença de partes duras ou o ambiente redutor, favorecem a fossilização.
Fácies, bacias e taxas de sedimentação
Para onde foi o mar de que falam as margas fossilíferas? E quanto tempo demorou a formar-se uma pilha de sedimentos com quilómetros de espessura?
Transgressão ou regressão?
Uma subida do nível do mar à escala global (eustasia) não implica transgressão local. O que decide é o balanço entre o nível relativo do mar (eustasia + subsidência) e o aporte sedimentar. Se o rio traz mais sedimentos do que o espaço criado, a linha de costa avança para o mar (regressão), mesmo com o nível do mar a subir. Em sequência vertical, fácies cada vez mais rasas para cima indicam regressão; cada vez mais profundas, transgressão.
Bacias assimétricas e fácies caóticas
Nas bacias de antepaís, junto à cadeia montanhosa a subsidência é maior e o enchimento é muito espesso, deformado pelo avanço da cadeia. Podem surgir depósitos caóticos submarinos (olistostromas), formados por deslizamentos. Do lado oposto, a cobertura é fina e pouco deformada, o que dá à bacia uma forma de cunha assimétrica.
Taxas de sedimentação
A taxa de sedimentação é a espessura acumulada a dividir pelo tempo:
$$\text{taxa} = \frac{\text{espessura}}{\text{tempo}}$$Voltando ao princípio: as margas com fósseis marinhos formaram-se num mar. Os arenitos com estratificação entrecruzada por cima registam rios ou dunas: o mar recuou (regressão).
O que é uma bacia sedimentar e que mecanismos, como a subsidência térmica ou a carga tectónica, fazem com que o seu fundo se afunde e acumule sedimentos?
O que é uma bacia sedimentar e que mecanismos, como a subsidência térmica ou a carga tectónica, fazem com que o seu fundo se afunde e acumule sedimentos?
Numa bacia intramontanhosa regista-se uma sucessão contínua de $800\ \text{m}$ que mostra, da base para o topo: brechas e conglomerados maciços angulosos de leque…
Numa bacia intramontanhosa regista-se uma sucessão contínua de $800\ \text{m}$ que mostra, da base para o topo: brechas e conglomerados maciços angulosos de leque aluvial proximal, arenitos canalizados de rios entrançados, siltitos com paleossolos de planície de inundação e, finalmente, calcários micríticos lacustres com carófitas.
- a) Interpreta de forma fundamentada a evolução morfotectónica do relevo adjacente e a dinâmica do nível de base da bacia ao longo do tempo.
- b) Um relatório preliminar afirma que esta sequência «grano-decrescente» demonstra um aumento progressivo da precipitação na bacia que facilitou o transporte e o depósito final de calcários. Contesta esta afirmação demonstrando por que razão a variação do tamanho de grão responde ao desmantelamento erosivo do relevo e à perda de gradiente topográfico.
- c) Prevê que alterações litológicas e estruturais observarias na vertical da série se ocorresse uma reativação tectónica súbita da falha de bordadura no final do período lacustre.
Numa bacia sedimentar de $2,5\ \text{Ma}$ de evolução foram perfuradas duas sondagens que alcançaram o embasamento: Sondagem A: atravessa $1\,000\ \text{m}$ de arenitos…
Numa bacia sedimentar de $2,5\ \text{Ma}$ de evolução foram perfuradas duas sondagens que alcançaram o embasamento:
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Sondagem A: atravessa $1\,000\ \text{m}$ de arenitos quartzosos homogéneos (porosidade inicial do sedimento: $40\,\%$; porosidade atual da rocha: $25\,\%$).
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Sondagem B: atravessa $600\ \text{m}$ de lutitos compactados (porosidade inicial da vasa: $70\,\%$; porosidade atual do lutito: $15\,\%$).
- a) Considerando que o volume da fração sólida mineral se conserva durante a diagénese, calcula a espessura original de sedimento não compactado que se depositou em cada sondagem.
- b) A partir do resultado numérico, contesta a afirmação de um relatório técnico que sustenta que «no ponto B a taxa de aporte sedimentar foi $40\,\%$ menor do que em A».
- c) Determina a taxa real média de acumulação sedimentar inicial (sedimento não compactado) em $\text{mm/ano}$ para ambos os pontos da bacia.
Em duas carotes de sondagem (X e Y) procedentes de uma mesma bacia sedimentar marinha foram catalogadas as seguintes associações de fácies e fósseis: Carote X: camadas…
Em duas carotes de sondagem (X e Y) procedentes de uma mesma bacia sedimentar marinha foram catalogadas as seguintes associações de fácies e fósseis:
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Carote X: camadas centimétricas de arenito com gradação normal (grão grosseiro a fino), base erosiva com marcas de corrente (flute casts), alternando ritmicamente com lutitos escuros. Contém foraminíferos planctónicos e pistas fósseis da icnofácies Zoophycos, sem macrofauna bentónica.
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Carote Y: arenitos quartzíticos bem calibrados com estratificação entrecruzada hummocky e ripples de oscilação, alternando com calcários bioclásticos ricos em bivalves de concha espessa fragmentada, algas calcárias e pistas fósseis de Cruziana.
- a) Deduz e identifica o ambiente sedimentar exato a que pertence cada carote (plataforma marinha pouco profunda dominada por tempestades vs. talude ou lóbulo submarino profundo).
- b) Explica fundamentadamente o mecanismo físico de transporte e deposição que gerou os estratos de arenito em cada carote, resolvendo o aparente paradoxo de como podem chegar areias de grão grosseiro até ao ambiente sedimentar mais profundo.
Na margem de uma bacia marinha regista-se uma coluna estratigráfica contínua que mostra, de baixo para cima: turbiditos de talude profundo $\to$ margas e siltitos de…
Na margem de uma bacia marinha regista-se uma coluna estratigráfica contínua que mostra, de baixo para cima: turbiditos de talude profundo $\to$ margas e siltitos de plataforma externa $\to$ arenitos litorais de frente deltaica $\to$ carvões de planície deltaica. Ao mesmo tempo, o registo geológico global dessa época indicia um período interglaciário quente com uma subida global do nível do mar de mais de $40\ \text{m}$.
- a) Justifica se a sequência vertical observada corresponde a uma transgressão ou a uma regressão sedimentar.
- b) Resolve a aparente contradição entre a subida eustática global do nível do mar e a tendência de redução de profundidade registada na bacia, formulando a relação conceptual entre o espaço de acomodação gerado (subsidência tectónica mais eustatismo) e a taxa de aporte sedimentar fluvial.
- c) Prevê fundamentadamente o que aconteceria à linha de costa e à vertical das fácies se, mantendo-se a subida eustática, uma captura fluvial no continente reduzisse drasticamente a zero o aporte terrígeno.
Numa sondagem contínua identifica-se um contacto nítido e planar entre duas formações sedimentares: Na base: gessos laminares e argilas vermelhas com fendas de…
Numa sondagem contínua identifica-se um contacto nítido e planar entre duas formações sedimentares:
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Na base: gessos laminares e argilas vermelhas com fendas de dessecação e nódulos de anidrite, típicos de planície de maré evaporítica (sabkha supramaral).
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Diretamente por cima, em continuidade estratigráfica sem discordância aparente: turbiditos com alternâncias rítmicas de arenito gradado e pelitos com foraminíferos planctónicos batiais (fundos marinhos profundos).
Um geólogo recém-formado afirma que, segundo a Lei de correlação de fácies de Walther, no momento da deposição a planície de maré árida confinava lateralmente de forma direta com a bacia batial profunda.
- a) Refuta a afirmação do geólogo analisando as condições e limites fundamentais de aplicação da Lei de Walther.
- b) Propõe duas hipóteses geodinâmicas distintas (uma eustática/oceanográfica e outra tectónica) capazes de explicar a sobreposição vertical imediata de dois ambientes sedimentares tão afastados em profundidade.
Numa região montanhosa foram diferenciadas três unidades litoestratigráficas: Unidade A (inferior): calcários marinhos do Cretácico afetados por dobras apertadas com…
Numa região montanhosa foram diferenciadas três unidades litoestratigráficas:
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Unidade A (inferior): calcários marinhos do Cretácico afetados por dobras apertadas com flancos que inclinam $60^\circ$.
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Unidade B (intermédia): conglomerados e arenitos continentais do Paleogénico que assentam sobre uma superfície erosiva que trunca as dobras de A; os estratos de B inclinam de modo uniforme $25^\circ$ para sul.
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Unidade C (superior): argilas e gessos lacustres do Miocénico perfeitamente horizontais que repousam sobre uma superfície plana que bisela os estratos de B.
- a) Classifica fundamentadamente o tipo de descontinuidade estratigráfica presente entre a Unidade A e a B, e entre a Unidade B e a C.
- b) Reconstrói a cronologia geodinâmica da região, deduzindo o número de ciclos de sedimentação, o número de fases tectónicas compressivas independentes e os períodos erosivos envolvidos.
- c) Prevê que disposição geométrica interna teriam os estratos da Unidade B se a deformação tectónica que os inclinou tivesse atuado em simultâneo com a sua sedimentação (sintectónica) em vez de o fazer posteriormente.
Um perfil geofísico transversal à bacia do Guadalquivir mostra uma assimetria geométrica extrema: Rumo à margem norte (Sierra Morena), o soco paleozoico está coberto por…
Um perfil geofísico transversal à bacia do Guadalquivir mostra uma assimetria geométrica extrema:
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Rumo à margem norte (Sierra Morena), o soco paleozoico está coberto por apenas $100\text{–}300\ \text{m}$ de sedimentos horizontais pouco profundos e continentais do Miocénico superior e Pliocénico.
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Rumo à margem sul (frente das Béticas), o preenchimento sedimentar ultrapassa os $4\,000\ \text{m}$; os sedimentos miocénicos profundos encontram-se dobrados, cavalgados e misturados com depósitos caóticos submarinos (olistostromas).
- a) Justifica fisicamente a geometria em cunha assimétrica da bacia aplicando o modelo de flexão litosférica por sobrecarga orogénica.
- b) Explica por que razão a idade do início da sedimentação marinha e a idade da posterior deformação compressiva são progressivamente mais jovens à medida que nos deslocamos desde a frente subbética (sul) até Sierra Morena (norte).
- c) Deduz como interagiram a subsidência flexural e o aporte de detritos erodidos das Béticas para transformar a bacia de um sulco marinho profundo aberto ao Atlântico numa bacia continental pouco profunda e colmatada.
Numa bacia marinha mede-se uma coluna estratigráfica de $3\,000\ \text{m}$ de lutitos compactados acumulados durante $15\ \text{Ma}$. a) Calcula a taxa média líquida de…
Numa bacia marinha mede-se uma coluna estratigráfica de $3\,000\ \text{m}$ de lutitos compactados acumulados durante $15\ \text{Ma}$.
- a) Calcula a taxa média líquida de sedimentação aparente em $\text{mm/ano}$ (ou $\text{m/Ma}$).
- b) Um estudo microestratigráfico de alta resolução num troço dessa bacia revela que o sedimento se depositou por cheias de tempestade: cada camada de $5\ \text{cm}$ depositou-se em poucas horas, mas decorreram períodos de não sedimentação ou erosão de cerca de $250\ \text{anos}$ entre cheias sucessivas. Explica o «efeito Sadler» (a dependência da taxa de acumulação com a escala temporal) e deduz o que representa a maior parte do tempo geológico registado nos $15\ \text{Ma}$ da coluna.
- c) Sabendo que a porosidade das argilas diminuiu por compactação diagenética desde uns $60\,\%$ iniciais no fundo marinho até uns $20\,\%$ na rocha consolidada atual, calcula a espessura original não compactada da série e determina a taxa real de aporte sedimentar bruto antes da diagénese.