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Fisiologia vegetal · Regulação e reprodução das plantas

A reprodução das plantas

Um sobreiro no montado alentejano não pode andar à procura de parceiro nem levar as bolotas para longe. E, no entanto, consegue: entrega o transporte do pólen ao vento ou a um inseto, e o das sementes a um fruto que voa, flutua ou viaja no estômago de um animal. A flor é a peça central desta estratégia.

A flor: estrutura reprodutora

Se abrires com cuidado uma flor de roselha ou de papoila, vais ver que as peças se organizam em anéis concêntricos: proteção e atração por fora, órgãos produtores de gâmetas no centro. Como se coordenam estas peças para garantir a reprodução?

Corte longitudinal de uma flor com os quatro verticilos: cálice com sépalas verdes por fora, corola com pétalas, androceu com estames formados por filete e antera, e gineceu central com estigma, estilete e ovário com óvulos. androceu (estames) antera filete corola (pétalas) cálice (sépalas) gineceu estigma estilete ovário óvulos Flor em corte longitudinal

Flores hermafroditas, unissexuais e inflorescências

Uma flor com androceu e gineceu é hermafrodita (a do pessegueiro). Se tem só um deles, é unissexual. Numa planta monoica há flores masculinas e femininas no mesmo indivíduo (milho); numa planta dioica estão em indivíduos diferentes (kiwi, azevinho).

Uma inflorescência é um conjunto de flores pequenas agrupadas e com aspeto de uma só: o capítulo do girassol, a espiga do trigo, a umbela da cenoura. O agrupamento torna o conjunto mais visível para os polinizadores e permite que uma só visita (ou uma só rajada de vento) atinja muitas flores.

Pratica★☆☆Por começar
Nomeia os quatro verticilos de uma flor completa (cálice, corola, androceu e gineceu) e indica as peças e a função de cada um.

Nomeia os quatro verticilos de uma flor completa (cálice, corola, androceu e gineceu) e indica as peças e a função de cada um.

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Pratica★☆☆Por começar
Distingue flor de inflorescência e dá um exemplo de inflorescência (capítulo do girassol, espiga do trigo, umbela da cenoura), explicando que vantagem pode ter o…

Distingue flor de inflorescência e dá um exemplo de inflorescência (capítulo do girassol, espiga do trigo, umbela da cenoura), explicando que vantagem pode ter o agrupamento de muitas flores pequenas.

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Pratica★☆☆Por começar
Explica o que são flores hermafroditas e unissexuais, e o que são plantas monoicas e dioicas, apresentando um exemplo para cada caso (milho; quivi ou azevinho).

Explica o que são flores hermafroditas e unissexuais, e o que são plantas monoicas e dioicas, apresentando um exemplo para cada caso (milho; quivi ou azevinho).

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Pratica★★☆Por começar
Observa a flor em corte na imagem. a) Indica que números correspondem ao androceu e ao gineceu, e que peças constituem cada um deles. b) Explica a função das estruturas…

Observa a flor em corte na imagem. a) Indica que números correspondem ao androceu e ao gineceu, e que peças constituem cada um deles. b) Explica a função das estruturas 4 e 5 durante a reprodução. c) Descreve o que acontece à estrutura 6 e aos óvulos que contém após a fecundação.

Flor completa em corte longitudinal com as suas peças florais

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A polinização

Polinização: os grãos de pólen saem da antera de um estame e, transportados pelo vento ou por um inseto, chegam ao estigma do pistilo, que continua no estilete e no ovário com os óvulos. vento ou inseto grãos de pólen antera filete estigma estilete ovário óvulos estame (androceu) pistilo (gineceu)

Evitar a autofecundação

Muitas flores hermafroditas evitam fecundar-se a si próprias, por dois mecanismos: a maturação desfasada dos estames e do estigma (não estão prontos ao mesmo tempo) e a autoincompatibilidade genética (o estigma rejeita o pólen da própria planta). Corre-se o risco de não produzir sementes se não chegar pólen de fora, mas o cruzamento entre plantas diferentes gera descendentes com maior variabilidade genética, o que aumenta as hipóteses de sobrevivência da população quando o ambiente muda.

Pratica★☆☆Por começar
Distingue polinização de fecundação, indicando o que se desloca em cada processo, por onde e que estruturas florais intervêm.

Distingue polinização de fecundação, indicando o que se desloca em cada processo, por onde e que estruturas florais intervêm.

Resolver
Pratica★☆☆Por começar
O que é o néctar e que estruturas florais o produzem (nectários)? Explica o «acordo» que se estabelece entre a planta e o polinizador (alimento em troca de transporte de…

O que é o néctar e que estruturas florais o produzem (nectários)? Explica o «acordo» que se estabelece entre a planta e o polinizador (alimento em troca de transporte de pólen).

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Pratica★★☆Por começar
Compara as adaptações florais das plantas anemófilas (polinizadas pelo vento, como as gramíneas) com as das entomófilas (polinizadas por insetos): flores, pólen, néctar…

Compara as adaptações florais das plantas anemófilas (polinizadas pelo vento, como as gramíneas) com as das entomófilas (polinizadas por insetos): flores, pólen, néctar e eficácia do processo.

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Pratica★★☆Por começar
Muitas plantas com flores hermafroditas não conseguem realizar a autofecundação. Explica dois mecanismos que a impedem (maturação desfasada de estames e…

Muitas plantas com flores hermafroditas não conseguem realizar a autofecundação. Explica dois mecanismos que a impedem (maturação desfasada de estames e estilete/estigma, autoincompatibilidade genética) e justifica que vantagem evolutiva tem impedir a autofecundação, apesar do risco de não produzir sementes.

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Pratica★★☆Por começar
A orquídea Ophrys* mimetiza uma abelha fêmea e atrai os machos, que realizam a polinização ao tentar copular. Explica o que é a coevolução entre flor e polinizador, que…

A orquídea Ophrys mimetiza uma abelha fêmea e atrai os machos, que realizam a polinização ao tentar copular. Explica o que é a coevolução entre flor e polinizador, que características da flor (forma, cor, odor) participam no embuste e por que razão uma especialização tão extrema representa simultaneamente uma vantagem e um risco.

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Fecundação, fruto e semente

Quando as pétalas de uma cerejeira caem na primavera, a base da flor não se desprende: engrossa até dar uma cereja suculenta com um caroço duro no interior. Que transformações ocorrem desde que o pólen toca no estigma até se formar o fruto?

Animação do tubo polínico: cresce desde o grão de pólen até ao ovário; ao chegar, os óvulos passam a verde (fecundados) e o ovário aumenta até ser fruto; depois o esquema recomeça. grão de pólen germina tubo polínico ovário → fruto óvulos fecundados → sementes

A dupla fecundação (versão simplificada)

O tubo polínico transporta dois núcleos espermáticos (n). Um funde-se com a oosfera e forma o zigoto (2n), que dá o embrião. O outro funde-se com os dois núcleos polares e forma o endosperma, geralmente triploide (3n), que nutre o embrião. Chama-se dupla fecundação.

Pratica★☆☆Por começar
De que estrutura floral provém o fruto e de qual provém a semente? Dá um exemplo de fruto carnudo e outro de fruto seco, indicando que parte comemos em cada caso.

De que estrutura floral provém o fruto e de qual provém a semente? Dá um exemplo de fruto carnudo e outro de fruto seco, indicando que parte comemos em cada caso.

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Pratica★☆☆Por começar
Identifica as partes do pericarpo de um fruto carnudo (exocarpo, mesocarpo e endocarpo) utilizando a cereja como exemplo, e explica a diferença entre fruto verdadeiro e…

Identifica as partes do pericarpo de um fruto carnudo (exocarpo, mesocarpo e endocarpo) utilizando a cereja como exemplo, e explica a diferença entre fruto verdadeiro e falso fruto (pseudofruto: a maçã, o morango).

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Pratica★★☆Por começar
Descreve o ciclo reprodutor de uma angiospérmica desde a chegada de um grão de pólen ao estigma até à formação da semente: germinação do pólen, tubo polínico e dupla…

Descreve o ciclo reprodutor de uma angiospérmica desde a chegada de um grão de pólen ao estigma até à formação da semente: germinação do pólen, tubo polínico e dupla fecundação (de forma simplificada).

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Dispersão e germinação

Três mecanismos de dispersão: pelo vento (anemocoria) com o papilho do dente-de-leão, pelos animais (zoocoria) com frutos carnudos cujas sementes saem nas fezes, e pela água (hidrocoria) com um coco que flutua. anemocoria vento: sementes leves, com papilho ou asas dente-de-leão zoocoria animais: frutos carnudos; as sementes saem nas fezes fruto carnudo coco flutuante hidrocoria água: frutos que flutuam e viajam com as correntes

O agente de dispersão seleciona as características do diásporo: o vento seleciona leveza e grande superfície (o papilho do dente-de-leão, as asas da sâmara do bordo); a água seleciona flutuabilidade e impermeabilidade (o coco, com tecidos fibrosos e cheios de ar); os animais selecionam frutos carnudos, coloridos e doces, com sementes protegidas por um endocarpo resistente (endozoocoria), ou frutos com ganchos que se prendem ao pelo (epizoocoria).

Germinação e dormência

A germinação é a retoma do crescimento do embrião, que dá a plântula. Precisa de água (que hidrata a semente e ativa as enzimas), oxigénio (para a respiração celular) e temperatura adequada. Por isso, as sementes guardadas num frasco seco não germinam: sem água, o metabolismo fica parado.

Mesmo com estas condições, muitas sementes não germinam logo: estão em dormência, que sincroniza a germinação com a estação favorável.

Mecanismo O que rompe a dormência Exemplo
Tegumento duro e impermeável desgaste, frio, fogo ou passagem pelo tubo digestivo de um animal leguminosas, como a tremoceira
Inibidores químicos a água da chuva vai-os lavando tomate (inibidores no fruto) e Lepidium
Necessidade de frio (estratificação) um período de frio no inverno macieira
Pratica★☆☆Por começar
Explica o que é a germinação e de que três condições externas necessita uma semente (água, oxigénio e temperatura adequada), justificando por que razão não germinam as…

Explica o que é a germinação e de que três condições externas necessita uma semente (água, oxigénio e temperatura adequada), justificando por que razão não germinam as sementes guardadas num frasco seco.

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Pratica★★☆Por começar
Relaciona a estrutura de cada diásporo com o seu agente de dispersão: o papilho do dente-de-leão e as asas da sâmara do bordo com o vento, e o coco com a água. Explica…

Relaciona a estrutura de cada diásporo com o seu agente de dispersão: o papilho do dente-de-leão e as asas da sâmara do bordo com o vento, e o coco com a água. Explica que características (leveza, superfície, flutuabilidade) são selecionadas por cada meio e por que motivo dispersar-se para longe da planta-mãe reduz a competição.

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Pratica★★☆Por começar
A dormência sincroniza a germinação com a estação favorável. Explica três mecanismos que a mantêm (tegumento duro e impermeável, inibidores químicos, necessidade de um…

A dormência sincroniza a germinação com a estação favorável. Explica três mecanismos que a mantêm (tegumento duro e impermeável, inibidores químicos, necessidade de um período de frio — estratificação) e que sinal despoleta a rutura de cada um, fornecendo um exemplo de planta para cada mecanismo.

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Pratica★★☆Por começar
Alguns pinheiros mediterrânicos mantêm as pinhas fechadas até à ocorrência de um incêndio (serotinia) e certas sementes só germinam com o fumo. Explica em que consistem…

Alguns pinheiros mediterrânicos mantêm as pinhas fechadas até à ocorrência de um incêndio (serotinia) e certas sementes só germinam com o fumo. Explica em que consistem estas adaptações ao fogo e que vantagem advém de germinar imediatamente após um incêndio (solo livre, luz, cinzas ricas em nutrientes).

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Pratica★★★Por começar
Num parque natural ibérico analisam-se os diásporos de três espécies vegetais não identificadas (A, B e C): O diásporo A possui um pericarpo esponjoso de baixa densidade…

Num parque natural ibérico analisam-se os diásporos de três espécies vegetais não identificadas (A, B e C):

  • O diásporo A possui um pericarpo esponjoso de baixa densidade com grandes lacunas aeríferas e uma cutícula externa cerosa e hidrofóbica.

  • O diásporo B é constituído por uma cipsela com papilho plumoso de elevada superfície específica em relação à sua massa (0,02 g).

  • O diásporo C tem um mesocarpo carnudo e açucarado de cor avermelhada viva, e um endocarpo pétreo com lenhina resistente a pH ácidos e a proteases.

  1. a) Deduz a síndrome de dispersão (anemocoria, endozoocoria ou hidrocoria) de cada espécie, justificando que vantagem funcional confere cada adaptação anatómica descrita.
  2. b) Propõe uma espécie da flora ibérica representativa para cada uma das três estratégias descritas.
  3. c) Se for construída uma barragem que interrompa o caudal sazonal e fragmente a floresta ripícola, prevê fundamentadamente qual das três populações sofrerá maior isolamento genético e uma menor distância de recrutamento de plântulas em relação à planta-mãe.
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Pratica★★★Por começar
Para estudar a adaptação à aridez de uma planta anual do sudeste ibérico, dividem-se 400 sementes maduras acabadas de colher em quatro lotes iguais submetidos a…

Para estudar a adaptação à aridez de uma planta anual do sudeste ibérico, dividem-se 400 sementes maduras acabadas de colher em quatro lotes iguais submetidos a diferentes condições experimentais em placa de Petri a 22 °C:

  • Lote 1 (Rega padrão): Humedecidas com 5 mL de água destilada contínuos. Resultado: 0 % de germinação.

  • Lote 2 (Escarificação): Fricção mecânica do tegumento seminal + 5 mL de água destilada. Resultado: 4 % de germinação.

  • Lote 3 (Chuva torrencial simulada): Lavagem contínua com corrente de água durante 48 h (equivalente a 75 mm de precipitação) e posterior repouso húmido. Resultado: 88 % de germinação.

  • Lote 4 (Chuva escassa simulada): Lavagem breve com 5 mL durante 15 minutos (equivalente a 4 mm de precipitação). Resultado: 2 % de germinação.

  1. a) Interpreta os resultados: que tipo de dormência (física por tegumentos ou fisiológica por inibidores químicos solúveis) apresenta a espécie? Justifica a resposta relacionando-a com o balanço hormonal entre o ácido abscísico (ABA) e as giberelinas.
  2. b) De uma perspetiva evolutiva, fundamenta por que razão uma mutação que desativasse a dormência e permitisse germinar 100 % das sementes após um pulso de chuva de apenas 4 mm seria selecionada negativamente (estratégia letal) neste ambiente.
  3. c) Explica o conceito de «banco de sementes persistente no solo» e justifica por que razão a germinação fracionada ou escalonada ao longo de vários anos constitui uma adaptação crucial perante um regime de precipitação altamente imprevisível.
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Reprodução assexuada e alternância de gerações

As plantas também se reproduzem de forma assexuada por propagação vegetativa: estolhos (morangueiro), rizomas, tubérculos (batateira) ou fragmentos (estacas). Os descendentes resultam de mitoses, são geneticamente iguais (clones) e não há fusão de gâmetas. Esta via permite colonizar depressa e é muito usada em viveiros, mas não gera variabilidade: uma doença pode afetar todos os clones.

Há outros processos de reprodução assexuada. Na fragmentação, um fragmento do organismo regenera um indivíduo completo: a espirogira (alga filamentosa) parte-se em pedaços e cada um cresce como um novo filamento. Na gemulação, forma-se um gomo (gema) que cresce no organismo-mãe e depois se solta: acontece na levedura e na hidra. Na esporulação assexuada, produzem-se esporos por mitose que germinam sem fecundação: é o caso dos fungos (bolores, cogumelos) e de algumas algas. Nos fetos e nos musgos, os esporos haploides formam-se por meiose no esporófito e dispersam-se pelo vento; originam gametófitos, pelo que não se trata de reprodução assexuada.

Alternância de gerações numa planta com flor: o esporófito diploide produz esporos haploides por meiose, estes originam por mitose gametófitos reduzidos (grão de pólen e saco embrionário) que dão gâmetas, e a fecundação forma o zigoto diploide que origina um novo esporófito. Fase diploide (2n) Fase haploide (n) Esporófito (2n) meiose Esporos (n) mitose grão de pólen saco embrionário Gametófito (n) gâmetas (n) fecundação Zigoto (2n) desenvolvimento

Domesticação e seleção artificial

Ao escolherem, geração após geração, as sementes das plantas com as características mais úteis, os primeiros agricultores exerceram seleção artificial. No trigo, o ráquis quebradiço dispersa os grãos sozinho, o que é bom para a planta selvagem, mas mau para quem colhe. Os agricultores recolhiam sobretudo as espigas que ficavam inteiras, e por isso foram favorecidas as de ráquis não quebradiço e de grãos fáceis de debulhar.

Híbridos F1, homozigotia e segregação

Um indivíduo homozigótico tem dois alelos iguais para um gene; um heterozigótico tem dois alelos diferentes. Cruzando duas linhas puras homozigóticas diferentes, obtém-se uma geração híbrida F1, uniforme e muitas vezes vigorosa. Quando os híbridos F1 se reproduzem, os alelos separam-se na meiose (segregação) e recombinam-se na fecundação: a descendência F2 é heterogénea e perde as características dos pais. Por isso, as sementes dos híbridos não se guardam para semear.

Vamos fechar o gancho do início: o sobreiro do montado usa o vento para o pólen (flores anemófilas) e a bolota, um fruto seco, é dispersa sobretudo por animais, como o gaio, que a enterra e nem sempre a recupera.

Pratica★★★Por começar
Num laboratório de botânica cultivam-se três organismos vegetais (X, Y e Z) em câmaras climáticas isoladas onde a humidade relativa do ar é fixada em 45 % e a rega é…

Num laboratório de botânica cultivam-se três organismos vegetais (X, Y e Z) em câmaras climáticas isoladas onde a humidade relativa do ar é fixada em 45 % e a rega é fornecida exclusivamente por via subterrânea capilar, sem molhar nunca a superfície das plantas:

  • Na espécie X, o indivíduo verde dominante é haploide. Desenvolve órgãos reprodutores masculinos e femininos maduros, mas após vários meses não se observa qualquer embrião nem estrutura diploide.

  • Na espécie Y, a planta fotossintética dominante é um cormo diploide produtor de meiósporos. Os esporos germinam no solo formando uma estrutura laminar verde independente, mas nunca culmina a formação de um novo esporófito nestas condições de cultivo.

  • Na espécie Z, a planta dominante é uma árvore diploide com folhas aciculares e cones; produz grãos de pólen que germinam com sucesso nas escamas dos cones femininos, fecundando as oosferas e gerando sementes viáveis com total normalidade.

  1. a) Deduz a que grupo vegetal (briófitas, pteridófitas ou gimnospérmicas) pertence cada organismo e indica qual é a fase geracional dominante (gametófito ou esporófito) em cada um.
  2. b) Explica, a nível anatómico e fisiológico, que processo falha nas espécies X e Y sob as condições do ensaio, e que inovação evolutiva permite à espécie Z completar a fecundação na ausência total de água livre superficial.
  3. c) Se uma seca ambiental persistente provocasse o desaparecimento de micro-habitats húmidos superficiais, prevê que geração específica (esporófito ou gametófito) da espécie Y se comportaria como o gargalo que causaria a sua extinção local. Justifica a tua dedução.
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Pratica★★★Por começar
Um município rural conta com duas explorações agrícolas contíguas de 50 ha cada uma: a Herdade A cultiva amendoeiras (Prunus dulcis*) e a Herdade B cultiva cevada…

Um município rural conta com duas explorações agrícolas contíguas de 50 ha cada uma: a Herdade A cultiva amendoeiras (Prunus dulcis) e a Herdade B cultiva cevada (Hordeum vulgare). Na última década, o uso intensivo de inseticidas de largo espetro na região provocou uma queda de 75 % nas populações de polinizadores silvestres (abelhas solitárias, abelhões e dípteros sirfídeos).

  1. a) Prevê justificadamente como será afetado o rendimento económico e a produção (em kg/ha) de cada uma das duas herdades, argumentando a partir da morfologia floral e do mecanismo de transporte de pólen de cada cultura.
  2. b) O proprietário da Herdade A propõe comprar e libertar colmeias da abelha-melífera doméstica (Apis mellifera) como solução exclusiva. Avalia criticamente esta proposta: fundamenta duas limitações ecológicas ou biológicas de depender unicamente de uma espécie de polinizador doméstico face à comunidade silvestre.
  3. c) Concebe três medidas agroecológicas concretas para implementar nas margens da Herdade A orientadas a recuperar e manter os polinizadores silvestres a longo prazo, avaliando o custo ou compromisso espacial que cada uma exigiria ao agricultor.
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Pratica★★★Por começar
Num sítio arqueológico do Neolítico analisam-se amostras de trigo datadas em dois momentos históricos: Amostra 1 (há 10 500 anos): 82 % dos restos de espiga correspondem…

Num sítio arqueológico do Neolítico analisam-se amostras de trigo datadas em dois momentos históricos:

  • Amostra 1 (há 10 500 anos): 82 % dos restos de espiga correspondem a nós de ráquis com cicatrizes de desarticulação espontânea lisa (ráquis quebradiço) e cariopses com glumas firmemente aderidas.

  • Amostra 2 (há 7 000 anos): 96 % das espigas apresentam ráquis com fratura irregular provocada por debulha mecânica e grãos nus que se desprendem com facilidade da casca.

  1. a) Interpreta a mudança observada entre ambas as amostras em termos de seleção artificial: por que razão os primeiros agricultores selecionaram inconscientemente mutantes com ráquis não quebradiço e grão livre?
  2. b) Justifica por que razão o fenótipo da Amostra 2 representaria uma mutação claramente desvantajosa (suicida) para a planta num ecossistema natural, argumentando a dependência absoluta que o trigo atual tem da sementeira humana para evitar a competição intraespecífica e assegurar a sua dispersão.
  3. c) Ao contrário dos cereais anuais domesticados por semente, muitos fruteiros domesticados na Antiguidade (como a figueira, a oliveira ou a videira) multiplicaram-se mediante estacas e enxertos. Justifica a vantagem genética que oferecia a propagação assexuada para conservar os caracteres desejados face à reprodução por sementes em espécies alógamas e heterozigóticas.
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Pratica★★★Por começar
Uma equipa de conservação costeira tenta erradicar duas espécies invasoras num sistema dunar: Caso 1: O chorão-das-praias (Carpobrotus edulis*), uma planta suculenta…

Uma equipa de conservação costeira tenta erradicar duas espécies invasoras num sistema dunar:

  • Caso 1: O chorão-das-praias (Carpobrotus edulis), uma planta suculenta rasteira, é triturado e roçado mecanicamente com maquinaria pesada 'in situ'. Passados quatro meses, a densidade de cobertura da planta triplicou em toda a zona tratada.

  • Caso 2: A erva-das-pampas (Cortaderia selloana), uma gramínea cespitosa gigante dioica, é cortada rente ao solo logo após o final do verão, retirando-se os exemplares adultos. Na primavera seguinte nascem dezenas de milhares de plântulas num raio de mais de 2 km a sotavento.

  1. a) Justifica o fracasso de ambas as intervenções explicando que estratégia reprodutiva (sexuada ou assexuada) e que tipo de propágulo ou diásporo cada espécie aproveitou para reagir com esse vigor.
  2. b) Desenha uma modificação metodológica para a erradicação do chorão-das-praias que evite a dispersão de propágulos vegetativos e assegure a eliminação definitiva do banco de biomassa sem erodir a duna.
  3. c) Propõe três critérios biológicos estritamente reprodutivos (relativos ao tipo de polinização, à taxa de fecundidade, à dispersão ou à persistência de sementes) que justifiquem proibir por lei a venda de uma planta ornamental em jardinagem antes de esta demonstrar o seu potencial invasor.
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Pratica★★★Por começar
Um agricultor cultiva em hortas vizinhas duas variedades comerciais compradas em viveiro: curgetes híbridas F1 (obtidas do cruzamento de duas linhas puras homozigóticas…

Um agricultor cultiva em hortas vizinhas duas variedades comerciais compradas em viveiro: curgetes híbridas F1 (obtidas do cruzamento de duas linhas puras homozigóticas para conseguir frutos retos e muito vigorosos) e tomates tradicionais de uma variedade local antiga. No final da época, recolhe sementes dos melhores frutos de ambas as culturas e semeia-as na campanha seguinte:

  1. a) Ao colher a produção de curgetes de segunda geração (F2), o agricultor descobre com surpresa uma enorme heterogeneidade: curgetes amargas e rugosas, outras deformadas e plantas com rendimentos muito inferiores aos do ano anterior. Justifica geneticamente este fenómeno aplicando as leis de Mendel e os conceitos de heterose (vigor híbrido) e segregação alélica na F2.
  2. b) Pelo contrário, as plantas de tomate obtidas a partir das suas próprias sementes conservam fielmente a qualidade organolética e a uniformidade da colheita anterior. Justifica esta diferença baseando-te na morfologia floral (cleistogamia ou estigma inserido) e na estratégia de polinização predominante (autogamia versus alogamia) de cada espécie.
  3. c) Avalia o impacto socioeconómico e ecológico de a agricultura comercial depender quase exclusivamente de sementes híbridas F1: contrasta a dependência anual do agricultor relativamente às empresas de sementes com a perda de agrobiodiversidade face a stresses ambientais imprevistos.
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Pratica★★★Por começar
Um centro internacional de recursos genéticos recebe duas coleções de germoplasma vegetal: o Lote 1 contém sementes de lentilha-brava (Lens culinaris*) e o Lote 2 contém…

Um centro internacional de recursos genéticos recebe duas coleções de germoplasma vegetal: o Lote 1 contém sementes de lentilha-brava (Lens culinaris) e o Lote 2 contém sementes de abacate (Persea americana). Aplica-se a ambos os lotes o protocolo padrão de bancos de sementes como o de Svalbard: desidratação forçada até 5 % de teor de água e posterior congelação a -18 °C.

  1. a) Após um ano de armazenamento, testa-se a germinação: o Lote 1 apresenta 95 % de viabilidade, enquanto no Lote 2 a viabilidade é de 0 % e os embriões mostram lise celular generalizada. Justifica fisiologicamente este resultado diferenciando entre sementes ortodoxas e recalcitrantes, e explicando que danos celulares o frio abaixo de zero provoca em tecidos vegetais não tolerantes à dessecação.
  2. b) Concebe duas estratégias alternativas de conservação 'ex situ' para manter a longo prazo a diversidade genética do Lote 2, tendo em conta que as suas sementes não toleram o armazenamento convencional.
  3. c) No contexto da atual emergência climática, argumenta por que razão a conservação de variedades silvestres e tradicionais com menores rendimentos imediatos em bancos de germoplasma se revela biologicamente mais valiosa para o futuro da humanidade do que a preservação exclusiva das poucas variedades comerciais hiperprodutivas que dominam o mercado atual.
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Em resumo

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