A reprodução das plantas
Um sobreiro no montado alentejano não pode andar à procura de parceiro nem levar as bolotas para longe. E, no entanto, consegue: entrega o transporte do pólen ao vento ou a um inseto, e o das sementes a um fruto que voa, flutua ou viaja no estômago de um animal. A flor é a peça central desta estratégia.
A flor: estrutura reprodutora
Se abrires com cuidado uma flor de roselha ou de papoila, vais ver que as peças se organizam em anéis concêntricos: proteção e atração por fora, órgãos produtores de gâmetas no centro. Como se coordenam estas peças para garantir a reprodução?
Flores hermafroditas, unissexuais e inflorescências
Uma flor com androceu e gineceu é hermafrodita (a do pessegueiro). Se tem só um deles, é unissexual. Numa planta monoica há flores masculinas e femininas no mesmo indivíduo (milho); numa planta dioica estão em indivíduos diferentes (kiwi, azevinho).
Uma inflorescência é um conjunto de flores pequenas agrupadas e com aspeto de uma só: o capítulo do girassol, a espiga do trigo, a umbela da cenoura. O agrupamento torna o conjunto mais visível para os polinizadores e permite que uma só visita (ou uma só rajada de vento) atinja muitas flores.
Nomeia os quatro verticilos de uma flor completa (cálice, corola, androceu e gineceu) e indica as peças e a função de cada um.
Nomeia os quatro verticilos de uma flor completa (cálice, corola, androceu e gineceu) e indica as peças e a função de cada um.
Distingue flor de inflorescência e dá um exemplo de inflorescência (capítulo do girassol, espiga do trigo, umbela da cenoura), explicando que vantagem pode ter o…
Distingue flor de inflorescência e dá um exemplo de inflorescência (capítulo do girassol, espiga do trigo, umbela da cenoura), explicando que vantagem pode ter o agrupamento de muitas flores pequenas.
Explica o que são flores hermafroditas e unissexuais, e o que são plantas monoicas e dioicas, apresentando um exemplo para cada caso (milho; quivi ou azevinho).
Explica o que são flores hermafroditas e unissexuais, e o que são plantas monoicas e dioicas, apresentando um exemplo para cada caso (milho; quivi ou azevinho).
Observa a flor em corte na imagem. a) Indica que números correspondem ao androceu e ao gineceu, e que peças constituem cada um deles. b) Explica a função das estruturas…
Observa a flor em corte na imagem. a) Indica que números correspondem ao androceu e ao gineceu, e que peças constituem cada um deles. b) Explica a função das estruturas 4 e 5 durante a reprodução. c) Descreve o que acontece à estrutura 6 e aos óvulos que contém após a fecundação.

A polinização
Evitar a autofecundação
Muitas flores hermafroditas evitam fecundar-se a si próprias, por dois mecanismos: a maturação desfasada dos estames e do estigma (não estão prontos ao mesmo tempo) e a autoincompatibilidade genética (o estigma rejeita o pólen da própria planta). Corre-se o risco de não produzir sementes se não chegar pólen de fora, mas o cruzamento entre plantas diferentes gera descendentes com maior variabilidade genética, o que aumenta as hipóteses de sobrevivência da população quando o ambiente muda.
Distingue polinização de fecundação, indicando o que se desloca em cada processo, por onde e que estruturas florais intervêm.
Distingue polinização de fecundação, indicando o que se desloca em cada processo, por onde e que estruturas florais intervêm.
O que é o néctar e que estruturas florais o produzem (nectários)? Explica o «acordo» que se estabelece entre a planta e o polinizador (alimento em troca de transporte de…
O que é o néctar e que estruturas florais o produzem (nectários)? Explica o «acordo» que se estabelece entre a planta e o polinizador (alimento em troca de transporte de pólen).
Compara as adaptações florais das plantas anemófilas (polinizadas pelo vento, como as gramíneas) com as das entomófilas (polinizadas por insetos): flores, pólen, néctar…
Compara as adaptações florais das plantas anemófilas (polinizadas pelo vento, como as gramíneas) com as das entomófilas (polinizadas por insetos): flores, pólen, néctar e eficácia do processo.
Muitas plantas com flores hermafroditas não conseguem realizar a autofecundação. Explica dois mecanismos que a impedem (maturação desfasada de estames e…
Muitas plantas com flores hermafroditas não conseguem realizar a autofecundação. Explica dois mecanismos que a impedem (maturação desfasada de estames e estilete/estigma, autoincompatibilidade genética) e justifica que vantagem evolutiva tem impedir a autofecundação, apesar do risco de não produzir sementes.
A orquídea Ophrys* mimetiza uma abelha fêmea e atrai os machos, que realizam a polinização ao tentar copular. Explica o que é a coevolução entre flor e polinizador, que…
A orquídea Ophrys mimetiza uma abelha fêmea e atrai os machos, que realizam a polinização ao tentar copular. Explica o que é a coevolução entre flor e polinizador, que características da flor (forma, cor, odor) participam no embuste e por que razão uma especialização tão extrema representa simultaneamente uma vantagem e um risco.
Fecundação, fruto e semente
Quando as pétalas de uma cerejeira caem na primavera, a base da flor não se desprende: engrossa até dar uma cereja suculenta com um caroço duro no interior. Que transformações ocorrem desde que o pólen toca no estigma até se formar o fruto?
A dupla fecundação (versão simplificada)
O tubo polínico transporta dois núcleos espermáticos (n). Um funde-se com a oosfera e forma o zigoto (2n), que dá o embrião. O outro funde-se com os dois núcleos polares e forma o endosperma, geralmente triploide (3n), que nutre o embrião. Chama-se dupla fecundação.
De que estrutura floral provém o fruto e de qual provém a semente? Dá um exemplo de fruto carnudo e outro de fruto seco, indicando que parte comemos em cada caso.
De que estrutura floral provém o fruto e de qual provém a semente? Dá um exemplo de fruto carnudo e outro de fruto seco, indicando que parte comemos em cada caso.
Identifica as partes do pericarpo de um fruto carnudo (exocarpo, mesocarpo e endocarpo) utilizando a cereja como exemplo, e explica a diferença entre fruto verdadeiro e…
Identifica as partes do pericarpo de um fruto carnudo (exocarpo, mesocarpo e endocarpo) utilizando a cereja como exemplo, e explica a diferença entre fruto verdadeiro e falso fruto (pseudofruto: a maçã, o morango).
Descreve o ciclo reprodutor de uma angiospérmica desde a chegada de um grão de pólen ao estigma até à formação da semente: germinação do pólen, tubo polínico e dupla…
Descreve o ciclo reprodutor de uma angiospérmica desde a chegada de um grão de pólen ao estigma até à formação da semente: germinação do pólen, tubo polínico e dupla fecundação (de forma simplificada).
Dispersão e germinação
O agente de dispersão seleciona as características do diásporo: o vento seleciona leveza e grande superfície (o papilho do dente-de-leão, as asas da sâmara do bordo); a água seleciona flutuabilidade e impermeabilidade (o coco, com tecidos fibrosos e cheios de ar); os animais selecionam frutos carnudos, coloridos e doces, com sementes protegidas por um endocarpo resistente (endozoocoria), ou frutos com ganchos que se prendem ao pelo (epizoocoria).
Germinação e dormência
A germinação é a retoma do crescimento do embrião, que dá a plântula. Precisa de água (que hidrata a semente e ativa as enzimas), oxigénio (para a respiração celular) e temperatura adequada. Por isso, as sementes guardadas num frasco seco não germinam: sem água, o metabolismo fica parado.
Mesmo com estas condições, muitas sementes não germinam logo: estão em dormência, que sincroniza a germinação com a estação favorável.
| Mecanismo | O que rompe a dormência | Exemplo |
|---|---|---|
| Tegumento duro e impermeável | desgaste, frio, fogo ou passagem pelo tubo digestivo de um animal | leguminosas, como a tremoceira |
| Inibidores químicos | a água da chuva vai-os lavando | tomate (inibidores no fruto) e Lepidium |
| Necessidade de frio (estratificação) | um período de frio no inverno | macieira |
Explica o que é a germinação e de que três condições externas necessita uma semente (água, oxigénio e temperatura adequada), justificando por que razão não germinam as…
Explica o que é a germinação e de que três condições externas necessita uma semente (água, oxigénio e temperatura adequada), justificando por que razão não germinam as sementes guardadas num frasco seco.
Relaciona a estrutura de cada diásporo com o seu agente de dispersão: o papilho do dente-de-leão e as asas da sâmara do bordo com o vento, e o coco com a água. Explica…
Relaciona a estrutura de cada diásporo com o seu agente de dispersão: o papilho do dente-de-leão e as asas da sâmara do bordo com o vento, e o coco com a água. Explica que características (leveza, superfície, flutuabilidade) são selecionadas por cada meio e por que motivo dispersar-se para longe da planta-mãe reduz a competição.
A dormência sincroniza a germinação com a estação favorável. Explica três mecanismos que a mantêm (tegumento duro e impermeável, inibidores químicos, necessidade de um…
A dormência sincroniza a germinação com a estação favorável. Explica três mecanismos que a mantêm (tegumento duro e impermeável, inibidores químicos, necessidade de um período de frio — estratificação) e que sinal despoleta a rutura de cada um, fornecendo um exemplo de planta para cada mecanismo.
Alguns pinheiros mediterrânicos mantêm as pinhas fechadas até à ocorrência de um incêndio (serotinia) e certas sementes só germinam com o fumo. Explica em que consistem…
Alguns pinheiros mediterrânicos mantêm as pinhas fechadas até à ocorrência de um incêndio (serotinia) e certas sementes só germinam com o fumo. Explica em que consistem estas adaptações ao fogo e que vantagem advém de germinar imediatamente após um incêndio (solo livre, luz, cinzas ricas em nutrientes).
Num parque natural ibérico analisam-se os diásporos de três espécies vegetais não identificadas (A, B e C): O diásporo A possui um pericarpo esponjoso de baixa densidade…
Num parque natural ibérico analisam-se os diásporos de três espécies vegetais não identificadas (A, B e C):
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O diásporo A possui um pericarpo esponjoso de baixa densidade com grandes lacunas aeríferas e uma cutícula externa cerosa e hidrofóbica.
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O diásporo B é constituído por uma cipsela com papilho plumoso de elevada superfície específica em relação à sua massa (0,02 g).
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O diásporo C tem um mesocarpo carnudo e açucarado de cor avermelhada viva, e um endocarpo pétreo com lenhina resistente a pH ácidos e a proteases.
- a) Deduz a síndrome de dispersão (anemocoria, endozoocoria ou hidrocoria) de cada espécie, justificando que vantagem funcional confere cada adaptação anatómica descrita.
- b) Propõe uma espécie da flora ibérica representativa para cada uma das três estratégias descritas.
- c) Se for construída uma barragem que interrompa o caudal sazonal e fragmente a floresta ripícola, prevê fundamentadamente qual das três populações sofrerá maior isolamento genético e uma menor distância de recrutamento de plântulas em relação à planta-mãe.
Para estudar a adaptação à aridez de uma planta anual do sudeste ibérico, dividem-se 400 sementes maduras acabadas de colher em quatro lotes iguais submetidos a…
Para estudar a adaptação à aridez de uma planta anual do sudeste ibérico, dividem-se 400 sementes maduras acabadas de colher em quatro lotes iguais submetidos a diferentes condições experimentais em placa de Petri a 22 °C:
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Lote 1 (Rega padrão): Humedecidas com 5 mL de água destilada contínuos. Resultado: 0 % de germinação.
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Lote 2 (Escarificação): Fricção mecânica do tegumento seminal + 5 mL de água destilada. Resultado: 4 % de germinação.
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Lote 3 (Chuva torrencial simulada): Lavagem contínua com corrente de água durante 48 h (equivalente a 75 mm de precipitação) e posterior repouso húmido. Resultado: 88 % de germinação.
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Lote 4 (Chuva escassa simulada): Lavagem breve com 5 mL durante 15 minutos (equivalente a 4 mm de precipitação). Resultado: 2 % de germinação.
- a) Interpreta os resultados: que tipo de dormência (física por tegumentos ou fisiológica por inibidores químicos solúveis) apresenta a espécie? Justifica a resposta relacionando-a com o balanço hormonal entre o ácido abscísico (ABA) e as giberelinas.
- b) De uma perspetiva evolutiva, fundamenta por que razão uma mutação que desativasse a dormência e permitisse germinar 100 % das sementes após um pulso de chuva de apenas 4 mm seria selecionada negativamente (estratégia letal) neste ambiente.
- c) Explica o conceito de «banco de sementes persistente no solo» e justifica por que razão a germinação fracionada ou escalonada ao longo de vários anos constitui uma adaptação crucial perante um regime de precipitação altamente imprevisível.
Reprodução assexuada e alternância de gerações
As plantas também se reproduzem de forma assexuada por propagação vegetativa: estolhos (morangueiro), rizomas, tubérculos (batateira) ou fragmentos (estacas). Os descendentes resultam de mitoses, são geneticamente iguais (clones) e não há fusão de gâmetas. Esta via permite colonizar depressa e é muito usada em viveiros, mas não gera variabilidade: uma doença pode afetar todos os clones.
Há outros processos de reprodução assexuada. Na fragmentação, um fragmento do organismo regenera um indivíduo completo: a espirogira (alga filamentosa) parte-se em pedaços e cada um cresce como um novo filamento. Na gemulação, forma-se um gomo (gema) que cresce no organismo-mãe e depois se solta: acontece na levedura e na hidra. Na esporulação assexuada, produzem-se esporos por mitose que germinam sem fecundação: é o caso dos fungos (bolores, cogumelos) e de algumas algas. Nos fetos e nos musgos, os esporos haploides formam-se por meiose no esporófito e dispersam-se pelo vento; originam gametófitos, pelo que não se trata de reprodução assexuada.
Domesticação e seleção artificial
Ao escolherem, geração após geração, as sementes das plantas com as características mais úteis, os primeiros agricultores exerceram seleção artificial. No trigo, o ráquis quebradiço dispersa os grãos sozinho, o que é bom para a planta selvagem, mas mau para quem colhe. Os agricultores recolhiam sobretudo as espigas que ficavam inteiras, e por isso foram favorecidas as de ráquis não quebradiço e de grãos fáceis de debulhar.
Híbridos F1, homozigotia e segregação
Um indivíduo homozigótico tem dois alelos iguais para um gene; um heterozigótico tem dois alelos diferentes. Cruzando duas linhas puras homozigóticas diferentes, obtém-se uma geração híbrida F1, uniforme e muitas vezes vigorosa. Quando os híbridos F1 se reproduzem, os alelos separam-se na meiose (segregação) e recombinam-se na fecundação: a descendência F2 é heterogénea e perde as características dos pais. Por isso, as sementes dos híbridos não se guardam para semear.
Vamos fechar o gancho do início: o sobreiro do montado usa o vento para o pólen (flores anemófilas) e a bolota, um fruto seco, é dispersa sobretudo por animais, como o gaio, que a enterra e nem sempre a recupera.
Num laboratório de botânica cultivam-se três organismos vegetais (X, Y e Z) em câmaras climáticas isoladas onde a humidade relativa do ar é fixada em 45 % e a rega é…
Num laboratório de botânica cultivam-se três organismos vegetais (X, Y e Z) em câmaras climáticas isoladas onde a humidade relativa do ar é fixada em 45 % e a rega é fornecida exclusivamente por via subterrânea capilar, sem molhar nunca a superfície das plantas:
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Na espécie X, o indivíduo verde dominante é haploide. Desenvolve órgãos reprodutores masculinos e femininos maduros, mas após vários meses não se observa qualquer embrião nem estrutura diploide.
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Na espécie Y, a planta fotossintética dominante é um cormo diploide produtor de meiósporos. Os esporos germinam no solo formando uma estrutura laminar verde independente, mas nunca culmina a formação de um novo esporófito nestas condições de cultivo.
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Na espécie Z, a planta dominante é uma árvore diploide com folhas aciculares e cones; produz grãos de pólen que germinam com sucesso nas escamas dos cones femininos, fecundando as oosferas e gerando sementes viáveis com total normalidade.
- a) Deduz a que grupo vegetal (briófitas, pteridófitas ou gimnospérmicas) pertence cada organismo e indica qual é a fase geracional dominante (gametófito ou esporófito) em cada um.
- b) Explica, a nível anatómico e fisiológico, que processo falha nas espécies X e Y sob as condições do ensaio, e que inovação evolutiva permite à espécie Z completar a fecundação na ausência total de água livre superficial.
- c) Se uma seca ambiental persistente provocasse o desaparecimento de micro-habitats húmidos superficiais, prevê que geração específica (esporófito ou gametófito) da espécie Y se comportaria como o gargalo que causaria a sua extinção local. Justifica a tua dedução.
Um município rural conta com duas explorações agrícolas contíguas de 50 ha cada uma: a Herdade A cultiva amendoeiras (Prunus dulcis*) e a Herdade B cultiva cevada…
Um município rural conta com duas explorações agrícolas contíguas de 50 ha cada uma: a Herdade A cultiva amendoeiras (Prunus dulcis) e a Herdade B cultiva cevada (Hordeum vulgare). Na última década, o uso intensivo de inseticidas de largo espetro na região provocou uma queda de 75 % nas populações de polinizadores silvestres (abelhas solitárias, abelhões e dípteros sirfídeos).
- a) Prevê justificadamente como será afetado o rendimento económico e a produção (em kg/ha) de cada uma das duas herdades, argumentando a partir da morfologia floral e do mecanismo de transporte de pólen de cada cultura.
- b) O proprietário da Herdade A propõe comprar e libertar colmeias da abelha-melífera doméstica (Apis mellifera) como solução exclusiva. Avalia criticamente esta proposta: fundamenta duas limitações ecológicas ou biológicas de depender unicamente de uma espécie de polinizador doméstico face à comunidade silvestre.
- c) Concebe três medidas agroecológicas concretas para implementar nas margens da Herdade A orientadas a recuperar e manter os polinizadores silvestres a longo prazo, avaliando o custo ou compromisso espacial que cada uma exigiria ao agricultor.
Num sítio arqueológico do Neolítico analisam-se amostras de trigo datadas em dois momentos históricos: Amostra 1 (há 10 500 anos): 82 % dos restos de espiga correspondem…
Num sítio arqueológico do Neolítico analisam-se amostras de trigo datadas em dois momentos históricos:
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Amostra 1 (há 10 500 anos): 82 % dos restos de espiga correspondem a nós de ráquis com cicatrizes de desarticulação espontânea lisa (ráquis quebradiço) e cariopses com glumas firmemente aderidas.
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Amostra 2 (há 7 000 anos): 96 % das espigas apresentam ráquis com fratura irregular provocada por debulha mecânica e grãos nus que se desprendem com facilidade da casca.
- a) Interpreta a mudança observada entre ambas as amostras em termos de seleção artificial: por que razão os primeiros agricultores selecionaram inconscientemente mutantes com ráquis não quebradiço e grão livre?
- b) Justifica por que razão o fenótipo da Amostra 2 representaria uma mutação claramente desvantajosa (suicida) para a planta num ecossistema natural, argumentando a dependência absoluta que o trigo atual tem da sementeira humana para evitar a competição intraespecífica e assegurar a sua dispersão.
- c) Ao contrário dos cereais anuais domesticados por semente, muitos fruteiros domesticados na Antiguidade (como a figueira, a oliveira ou a videira) multiplicaram-se mediante estacas e enxertos. Justifica a vantagem genética que oferecia a propagação assexuada para conservar os caracteres desejados face à reprodução por sementes em espécies alógamas e heterozigóticas.
Uma equipa de conservação costeira tenta erradicar duas espécies invasoras num sistema dunar: Caso 1: O chorão-das-praias (Carpobrotus edulis*), uma planta suculenta…
Uma equipa de conservação costeira tenta erradicar duas espécies invasoras num sistema dunar:
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Caso 1: O chorão-das-praias (Carpobrotus edulis), uma planta suculenta rasteira, é triturado e roçado mecanicamente com maquinaria pesada 'in situ'. Passados quatro meses, a densidade de cobertura da planta triplicou em toda a zona tratada.
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Caso 2: A erva-das-pampas (Cortaderia selloana), uma gramínea cespitosa gigante dioica, é cortada rente ao solo logo após o final do verão, retirando-se os exemplares adultos. Na primavera seguinte nascem dezenas de milhares de plântulas num raio de mais de 2 km a sotavento.
- a) Justifica o fracasso de ambas as intervenções explicando que estratégia reprodutiva (sexuada ou assexuada) e que tipo de propágulo ou diásporo cada espécie aproveitou para reagir com esse vigor.
- b) Desenha uma modificação metodológica para a erradicação do chorão-das-praias que evite a dispersão de propágulos vegetativos e assegure a eliminação definitiva do banco de biomassa sem erodir a duna.
- c) Propõe três critérios biológicos estritamente reprodutivos (relativos ao tipo de polinização, à taxa de fecundidade, à dispersão ou à persistência de sementes) que justifiquem proibir por lei a venda de uma planta ornamental em jardinagem antes de esta demonstrar o seu potencial invasor.
Um agricultor cultiva em hortas vizinhas duas variedades comerciais compradas em viveiro: curgetes híbridas F1 (obtidas do cruzamento de duas linhas puras homozigóticas…
Um agricultor cultiva em hortas vizinhas duas variedades comerciais compradas em viveiro: curgetes híbridas F1 (obtidas do cruzamento de duas linhas puras homozigóticas para conseguir frutos retos e muito vigorosos) e tomates tradicionais de uma variedade local antiga. No final da época, recolhe sementes dos melhores frutos de ambas as culturas e semeia-as na campanha seguinte:
- a) Ao colher a produção de curgetes de segunda geração (F2), o agricultor descobre com surpresa uma enorme heterogeneidade: curgetes amargas e rugosas, outras deformadas e plantas com rendimentos muito inferiores aos do ano anterior. Justifica geneticamente este fenómeno aplicando as leis de Mendel e os conceitos de heterose (vigor híbrido) e segregação alélica na F2.
- b) Pelo contrário, as plantas de tomate obtidas a partir das suas próprias sementes conservam fielmente a qualidade organolética e a uniformidade da colheita anterior. Justifica esta diferença baseando-te na morfologia floral (cleistogamia ou estigma inserido) e na estratégia de polinização predominante (autogamia versus alogamia) de cada espécie.
- c) Avalia o impacto socioeconómico e ecológico de a agricultura comercial depender quase exclusivamente de sementes híbridas F1: contrasta a dependência anual do agricultor relativamente às empresas de sementes com a perda de agrobiodiversidade face a stresses ambientais imprevistos.
Um centro internacional de recursos genéticos recebe duas coleções de germoplasma vegetal: o Lote 1 contém sementes de lentilha-brava (Lens culinaris*) e o Lote 2 contém…
Um centro internacional de recursos genéticos recebe duas coleções de germoplasma vegetal: o Lote 1 contém sementes de lentilha-brava (Lens culinaris) e o Lote 2 contém sementes de abacate (Persea americana). Aplica-se a ambos os lotes o protocolo padrão de bancos de sementes como o de Svalbard: desidratação forçada até 5 % de teor de água e posterior congelação a -18 °C.
- a) Após um ano de armazenamento, testa-se a germinação: o Lote 1 apresenta 95 % de viabilidade, enquanto no Lote 2 a viabilidade é de 0 % e os embriões mostram lise celular generalizada. Justifica fisiologicamente este resultado diferenciando entre sementes ortodoxas e recalcitrantes, e explicando que danos celulares o frio abaixo de zero provoca em tecidos vegetais não tolerantes à dessecação.
- b) Concebe duas estratégias alternativas de conservação 'ex situ' para manter a longo prazo a diversidade genética do Lote 2, tendo em conta que as suas sementes não toleram o armazenamento convencional.
- c) No contexto da atual emergência climática, argumenta por que razão a conservação de variedades silvestres e tradicionais com menores rendimentos imediatos em bancos de germoplasma se revela biologicamente mais valiosa para o futuro da humanidade do que a preservação exclusiva das poucas variedades comerciais hiperprodutivas que dominam o mercado atual.