Nomenclatura binomial
Numa aldeia do Alentejo chamam «sobro» ao sobreiro; noutras regiões há quem lhe chame outro nome, e no Brasil ou em Inglaterra ninguém reconheceria nenhum deles. Como é que um cientista de Évora e outro de Tóquio têm a certeza de que estão a falar da mesma árvore? E como se arruma a enorme diversidade de seres vivos de forma que qualquer pessoa os encontre?
O nome científico de uma espécie
No século XVIII, o naturalista sueco Carlos Lineu propôs que cada espécie tivesse um nome formado por duas palavras, em latim (ou latinizadas). É a nomenclatura binomial, usada ainda hoje em todo o mundo.
Exemplo: o lince-ibérico chama-se Lynx pardinus. Lynx é o género (que inclui também outros linces) e pardinus é o epíteto específico. Repara que o epíteto, sozinho, não identifica nada: só o nome completo é o nome da espécie.
Regras de escrita
Porquê estas regras? Para que o nome se distinga logo do texto à volta e todos o escrevam da mesma maneira, em qualquer país.
A nomenclatura binomial, introduzida por Lineu no século XVIII, atribui a cada espécie um nome científico formado por duas palavras. Num trabalho de pesquisa, uma aluna…
A nomenclatura binomial, introduzida por Lineu no século XVIII, atribui a cada espécie um nome científico formado por duas palavras. Num trabalho de pesquisa, uma aluna escreveu os seguintes nomes científicos:
-
quercus ilex
-
Pinus Pinaster
-
Lutra lutra
-
lynx Pardinus
- a) Indica, para cada nome, se está corretamente escrito e reescreve corretamente os que apresentam erros.
- b) Explica o significado de cada uma das duas palavras que constituem o nome científico de uma espécie.
- c) Apresenta duas vantagens da utilização dos nomes científicos face aos nomes comuns dos seres vivos.
Nomes científicos e nomes comuns
Compara espécies portuguesas:
| Nome comum | Nome científico |
|---|---|
| azinheira | Quercus ilex |
| sobreiro | Quercus suber |
| pinheiro-bravo | Pinus pinaster |
| lince-ibérico | Lynx pardinus |
| lontra | Lutra lutra |
| sardinha | Sardina pilchardus |
Os nomes comuns variam de região para região e de língua para língua: o mesmo nome pode designar espécies diferentes, e a mesma espécie pode ter vários nomes. O nome científico evita estes problemas.
Na tabela, a azinheira e o sobreiro partilham o género Quercus; o pinheiro-bravo pertence a Pinus. Por isso, a azinheira tende a estar mais próxima do sobreiro do que do pinheiro-bravo (o género comum sugere maior proximidade evolutiva, mas não é uma prova absoluta).
A tabela reúne nomes comuns e nomes científicos de espécies da fauna e da flora portuguesas, com alguns espaços por preencher. | Nome comum | Nome científico | |---|---|…
A tabela reúne nomes comuns e nomes científicos de espécies da fauna e da flora portuguesas, com alguns espaços por preencher.
| Nome comum | Nome científico |
|---|---|
| azinheira | Quercus ilex |
| sobreiro | ? |
| pinheiro-bravo | ? |
| lince-ibérico | Lynx pardinus |
| ? | Lutra lutra |
| ? | Sardina pilchardus |
- a) Completa a tabela no teu caderno.
- b) A azinheira e o sobreiro pertencem ao mesmo género. Escreve o nome desse género e indica o que podes concluir quanto ao grau de parentesco destas duas espécies, comparativamente com a azinheira e o pinheiro-bravo.
- c) O nome científico da azinheira surge frequentemente escrito Quercus ilex L. Explica o que representa o elemento «L.».
Categorias taxonómicas hierárquicas
Além de dar nome às espécies, a classificação agrupa-as em categorias taxonómicas cada vez mais abrangentes, como bonecas russas: cada categoria inclui as que estão abaixo. Um grupo concreto numa categoria chama-se táxon.
Da mais abrangente para a menos abrangente:
Domínio → Reino → Filo → Classe → Ordem → Família → Género → Espécie
O sistema de classificação hierárquica agrupa os seres vivos em categorias taxonómicas cada vez mais abrangentes. A tabela apresenta a classificação do lince-ibérico,…
O sistema de classificação hierárquica agrupa os seres vivos em categorias taxonómicas cada vez mais abrangentes. A tabela apresenta a classificação do lince-ibérico, com as categorias desordenadas.
| Categoria taxonómica | Táxon do lince-ibérico |
|---|---|
| Ordem | Carnivora |
| Reino | Animalia |
| Género | Lynx |
| Filo | Chordata |
| Espécie | Lynx pardinus |
| Classe | Mammalia |
| Família | Felidae |
- a) Ordena as categorias taxonómicas da mais abrangente para a menos abrangente, escrevendo a sequência completa com os táxons correspondentes do lince-ibérico.
- b) O lobo-ibérico pertence ao reino Animalia, ao filo Chordata, à classe Mammalia e à ordem Carnivora, tal como o lince-ibérico, mas integra a família Canidae. Indica a categoria taxonómica menos abrangente que os dois animais partilham. Justifica.
- c) Explica a relação entre o nome científico de uma espécie e as categorias género e espécie da classificação hierárquica.
De volta ao início: o cientista de Évora e o de Tóquio entendem-se porque ambos escrevem Quercus suber, e a hierarquia permite situar a espécie num sistema comum a todos.