Em 2011, um terremoto seguido de tsunami atingiu o Japão e causou milhares de vítimas. Um terremoto com energia parecida pode acontecer numa região despovoada do oceano e passar quase despercebido. O que faz com que o mesmo fenômeno natural seja uma catástrofe num lugar e quase inofensivo em outro?
O que é um risco geológico
Os processos geológicos fazem parte do funcionamento normal da Terra. Só se tornam um risco quando podem atingir pessoas e bens. No Brasil, o risco mais comum é externo, como deslizamentos e enchentes. Terremotos fortes e vulcões ativos são raros, porque o país fica no centro da placa Sul-Americana, longe dos limites entre as placas.
Os riscos se dividem em dois grupos:
riscos internos, ligados à dinâmica interna da Terra: terremotos, tsunamis e erupções vulcânicas;
riscos externos, ligados à dinâmica externa: deslizamentos de terra, enchentes, erosão costeira, queda de blocos nas encostas.
Em 2010, um terremoto de magnitude 7,0 no Haiti fez cerca de 200.000 vítimas. Poucas semanas depois, um terremoto de magnitude 8,8 no Chile, muito mais energético, fez cerca de 500. O fenômeno mais fraco provocou a maior catástrofe porque as construções eram muito mais vulneráveis.
Pratica★☆☆Por começar
Distinga riscos geológicos internos de externos e dê dois exemplos de cada tipo.
Distinga riscos geológicos internos de externos e dê dois exemplos de cada tipo.
O que é um mapa de riscos geológicos? Explique para que serve e dê um exemplo de como ele pode ser utilizado no planejamento do crescimento de uma cidade.
O que é um mapa de riscos geológicos? Explique para que serve e dê um exemplo de como ele pode ser utilizado no planejamento do crescimento de uma cidade.
O ponto do interior da Terra onde o terremoto começa é o hipocentro. O ponto da superfície bem em cima dele é o epicentro. A energia liberada no hipocentro se propaga na forma de ondas sísmicas: as ondas P (as mais rápidas, chegam primeiro), as ondas S (mais lentas, chegam depois) e as ondas superficiais (viajam pela superfície e causam a maior parte dos danos). Um sismógrafo registra essas ondas num sismograma, em que se vê a chegada de cada tipo de onda.
Os terremotos acontecem principalmente nos limites entre as placas tectônicas, como no Japão, no Chile e na região dos Andes. O Brasil fica no centro da placa Sul-Americana, longe desses limites, por isso os terremotos fortes são raros por aqui. Ocorrem apenas tremores fracos, associados a falhas dentro da própria placa.
Quando um terremoto ocorre no fundo do mar, o deslocamento brusco do solo oceânico pode empurrar a água e formar um tsunami: uma série de ondas gigantes que podem atingir a costa a centenas ou milhares de quilômetros de distância. Como o Brasil está longe dos limites de placa, os tsunamis também são muito raros no litoral brasileiro.
Para descrever a «força» de um terremoto usam-se duas grandezas diferentes.
A intensidade é maior perto do epicentro e diminui com a distância. Também depende da profundidade do hipocentro e do tipo de terreno.
Pratica★☆☆Por começar
Observe o esquema de um terremoto, no qual estão representados o hipocentro, o epicentro, as ondas sísmicas e o registro de um sismógrafo. A partir do esquema, explique…
Observe o esquema de um terremoto, no qual estão representados o hipocentro, o epicentro, as ondas sísmicas e o registro de um sismógrafo. A partir do esquema, explique a diferença entre a magnitude e a intensidade de um terremoto, e qual escala ou instrumento se utiliza para medir cada uma.
Dois terremotos com a mesma magnitude atingem duas regiões distintas: em uma quase não há danos e na outra contam-se milhares de vítimas. Explique que fatores, além da…
Dois terremotos com a mesma magnitude atingem duas regiões distintas: em uma quase não há danos e na outra contam-se milhares de vítimas. Explique que fatores, além da magnitude, determinam os efeitos de um terremoto: perigo (ou ameaça), vulnerabilidade e exposição.
O Brasil não tem vulcões ativos no território continental, porque está no centro da placa Sul-Americana, longe dos limites entre placas. Há antigas estruturas vulcânicas extintas, como o arquipélago de Fernando de Noronha. Os vulcões ativos mais próximos estão na cordilheira dos Andes, onde a placa de Nazca mergulha sob a placa Sul-Americana.
Antes de uma erupção podem surgir sinais precursores: pequenos terremotos, deformação do terreno e aumento da emissão de gases. O monitoramento desses sinais ajuda a avisar as populações. Em países andinos como o Chile, o monitoramento dos vulcões faz parte da rotina da Defesa Civil.
Pratica★★☆Por começar
Durante uma erupção vulcânica são emitidos derrames de lava, cinzas, gases e fluxos piroclásticos, e podem se formar lahares. Escolha três desses produtos e explique o…
Durante uma erupção vulcânica são emitidos derrames de lava, cinzas, gases e fluxos piroclásticos, e podem se formar lahares. Escolha três desses produtos e explique o tipo de dano que cada um pode causar.
O vulcanismo não traz só perigos. Em várias regiões do mundo, como Japão, Islândia e Andes, as populações vivem há séculos junto a vulcões e aproveitam seus benefícios, mas precisam conviver com os riscos.
Riscos externos: os movimentos de vertente
Nem todos os riscos vêm do interior da Terra. Nas encostas, a água, a gravidade e a ação humana podem fazer o terreno deslizar. É o que acontece quase todo verão em cidades como Petrópolis, Recife e São Paulo, onde as chuvas fortes causam deslizamentos e enchentes, sobretudo em morros ocupados sem planejamento. Três fatores decidem se uma encosta é estável:
a inclinação das camadas de rocha: se estão inclinadas no mesmo sentido da encosta, podem escorregar sobre as superfícies entre as camadas;
o tipo de rocha: rochas moles ou que retêm água, como a argila, deslizam com mais facilidade do que rochas compactas, como o arenito;
a cobertura vegetal: as raízes seguram o solo e a vegetação reduz o impacto da chuva. Sem ela, a água se infiltra e o terreno se solta.
A chuva intensa funciona como «gatilho»: encharca o terreno, aumenta o seu peso e diminui o atrito entre as camadas.
Prevenção e gestão do risco
Medidas de construção e de comportamento
Nos edifícios, a prevenção passa por estruturas reforçadas e flexíveis (como as usadas no Japão e no Chile), fundações adequadas, ligações firmes entre paredes e lajes e fixação de móveis pesados. A população deve saber o que fazer antes (preparar um kit de emergência, conhecer as saídas), durante (se proteger junto a uma parede resistente ou debaixo de uma mesa sólida, longe de janelas) e depois de um terremoto (verificar feridos e cheiro de gás e sair com cuidado). Já os tsunamis exigem sistemas de alerta e rotas de fuga para áreas mais altas.
Pratica★★☆Por começar
Descreva três medidas de prevenção contra o risco sísmico que possam ser aplicadas na construção de edifícios em áreas de risco.
Descreva três medidas de prevenção contra o risco sísmico que possam ser aplicadas na construção de edifícios em áreas de risco.
Compare os dados destes dois eventos sísmicos reais: • Terremoto A (Lorca, Espanha, 2011): Magnitude $M_w = 5,1$; profundidade do hipocentro = $1\ \text{km}$; distância…
Compare os dados destes dois eventos sísmicos reais:
• Terremoto A (Lorca, Espanha, 2011): Magnitude $M_w = 5,1$; profundidade do hipocentro = $1\ \text{km}$; distância epicentral ao centro urbano = $2,5\ \text{km}$; intensidade máxima = VII-VIII (EMS); 9 mortos e centenas de edifícios danificados.
• Terremoto B (Mar de Okhotsk, 2013): Magnitude $M_w = 8,3$; profundidade do hipocentro = $609\ \text{km}$; distância ao aglomerado populacional mais próximo = $350\ \text{km}$; intensidade superficial máxima = V (MMI); 0 mortos e sem danos materiais.
a) A partir da equação do risco sismológico ($\text{Riesgo} = \text{Peligrosidad} \times \text{Exposición} \times \text{Vulnerabilidad}$), analise que fatores concretos fizeram com que o terremoto de Lorca resultasse devastador apesar de sua moderada magnitude.
b) Explique a diferença conceitual entre a «magnitude» e a «intensidade» de um sismo utilizando os dados de ambos os terremotos para ilustrar a sua resposta.
c) Projete duas medidas preventivas (uma estrutural e outra de ordenamento do território ou educação) que permitam mitigar o risco sísmico em municípios com características semelhantes às de Lorca.
Voltando ao início: um terremoto forte em pleno oceano quase não faz danos porque não há pessoas nem edifícios expostos. Já um terremoto moderado, pouco profundo, perto de uma cidade com construções frágeis, pode causar uma tragédia. O que decide o risco não é só a energia do terremoto.
Em resumo
Vamos praticar! 3 exercícios de nível médio neste tema