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3ª série · Biologia
Saúde e qualidade de vida das populações humanas · Doenças e saúde pública no Brasil

Vacinas, soros e sistema imunológico

Na caderneta de vacinação de uma criança brasileira há dezenas de registros de doses tomadas nos postos de saúde. Já quem é picado por uma cobra-jararaca corre para o hospital atrás de um soro, e não de uma vacina. Se os dois "ensinam" o corpo a se defender, por que não são a mesma coisa? E por que o sarampo pode ficar longe de quem nem foi vacinado? Ao longo desta página você vai responder a essas perguntas.

Antígenos e anticorpos

O corpo humano convive o tempo todo com vírus, bactérias, fungos e toxinas. O sistema imunológico é a rede de células, tecidos e moléculas que distingue o que é "próprio" do que é "estranho" e combate o que é estranho.

A ligação é como uma chave e uma fechadura: cada anticorpo encaixa em um antígeno específico. Por isso, o anticorpo contra o vírus do sarampo não protege contra a dengue.

Anticorpos em forma de Y se ligando a antígenos na superfície de um microrganismo Microrganismo Antígenos (verde): moléculas da superfície Anticorpos (azul), em Y: cada um encaixa em um antígeno específico
Pratica★☆☆Por começar
Defina com suas palavras o que é um antígeno e o que é um anticorpo, e diga qual é a relação entre os dois no sistema imunológico.

Defina com suas palavras o que é um antígeno e o que é um anticorpo, e diga qual é a relação entre os dois no sistema imunológico.

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Memória imunológica

No primeiro contato com um antígeno, o corpo demora para reagir: ocorre a resposta primária, lenta (de uma a duas semanas) e com poucos anticorpos. Durante ela, alguns linfócitos viram células de memória, que permanecem no organismo por anos ou pela vida toda.

Num segundo contato com o mesmo antígeno, as células de memória o reconhecem logo. A resposta secundária é rápida e intensa, e muitas vezes o antígeno é eliminado antes de a pessoa sentir sintomas.

Gráfico da concentração de anticorpos ao longo do tempo: resposta primária lenta e fraca, resposta secundária rápida e intensa Tempo Anticorpos 1ª exposição: resposta primária 2ª exposição: resposta secundária

Essa é a base das vacinas: provocar o "primeiro contato" de forma segura, sem causar a doença. Algumas vacinas geram memória de curta duração e exigem doses de reforço, que fazem o papel do segundo contato e reforçam a população de células de memória.

Pratica★☆☆Por começar
O Programa Nacional de Imunizações (PNI) oferece gratuitamente várias vacinas pelo SUS. Explique o que significa dizer que uma vacina "estimula a memória imunológica" e…

O Programa Nacional de Imunizações (PNI) oferece gratuitamente várias vacinas pelo SUS. Explique o que significa dizer que uma vacina "estimula a memória imunológica" e por que isso é importante para a proteção contra futuras infecções.

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Pratica★★☆Por começar
Na primeira vez em que uma pessoa é exposta a um antígeno, a produção de anticorpos é mais lenta e menos intensa do que em uma segunda exposição. Explique esse fenômeno…

Na primeira vez em que uma pessoa é exposta a um antígeno, a produção de anticorpos é mais lenta e menos intensa do que em uma segunda exposição. Explique esse fenômeno usando os conceitos de resposta primária, resposta secundária e células de memória, e relacione-o com a necessidade de doses de reforço em algumas vacinas.

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Vacinas e soros: imunização ativa e passiva

Há duas maneiras de obter anticorpos contra um antígeno.

  • Vacina: contém o antígeno inativado ou atenuado (vírus ou bactérias enfraquecidos ou mortos, fragmentos, toxinas inativadas, ou instruções de RNAm para produzir o antígeno). Gera imunização ativa e preventiva.

  • Soro: contém anticorpos prontos, em geral obtidos do plasma de animais (como cavalos) imunizados. É o caso do soro antiofídico, produzido por institutos como o Butantan. Gera imunização passiva e é usado para tratar quem já está exposto, como em picadas de cobra ou de escorpião e no tétano.

  • Leite materno: também transfere anticorpos da mãe ao bebê, uma imunização passiva natural.

Vacina Soro
Composição antígeno (ou instrução para produzi-lo) anticorpos prontos
Imunização ativa passiva
Início da proteção lento (dias a semanas) imediato
Duração longa (memória) curta (semanas)
Uso prevenção tratamento de urgência
Pratica★☆☆Por começar
Classifique cada situação como imunização ativa ou passiva: (a) uma criança recebe a vacina contra o sarampo; (b) uma pessoa picada por uma cobra venenosa recebe soro…

Classifique cada situação como imunização ativa ou passiva: (a) uma criança recebe a vacina contra o sarampo; (b) uma pessoa picada por uma cobra venenosa recebe soro antiofídico; (c) um bebê recebe anticorpos da mãe pelo leite materno.

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Pratica★★☆Por começar
Explique a diferença entre vacina e soro quanto à composição, ao tipo de imunidade que produzem, à rapidez da ação e à duração da proteção. Em seguida, indique em qual…

Explique a diferença entre vacina e soro quanto à composição, ao tipo de imunidade que produzem, à rapidez da ação e à duração da proteção. Em seguida, indique em qual situação cada um é mais adequado: prevenir uma doença futura ou tratar uma pessoa com envenenamento já em curso.

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Pratica★★★Por começar
Um homem é atendido em um pronto-socorro após ser mordido por uma cobra, e outro paciente chega com um ferimento profundo e sem registro de vacinação antitetânica.…

Um homem é atendido em um pronto-socorro após ser mordido por uma cobra, e outro paciente chega com um ferimento profundo e sem registro de vacinação antitetânica. Analise cada caso, indicando se o tratamento adequado envolve soro, vacina ou ambos, justifique cada escolha com base nos mecanismos da imunização ativa e passiva e explique por que a vacina sozinha não seria suficiente no primeiro caso.

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Vacinação como política de saúde pública

No Brasil, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) oferece gratuitamente, pelo SUS, vacinas para todas as idades, nas UBS e em campanhas como o Dia D. A caderneta de vacinação registra as doses, e o personagem Zé Gotinha ajuda a divulgar as campanhas.

Se a maioria está imune, o microrganismo "esbarra" em pessoas protegidas e a cadeia de transmissão se interrompe. Assim ficam protegidos também bebês pequenos demais para a vacina e pessoas com imunodeficiência ou outra contraindicação médica.

Dois grupos de pessoas: com baixa cobertura vacinal a doença se espalha; com alta cobertura ela fica isolada Baixa cobertura Alta cobertura Azul: imunizados · Laranja: suscetíveis

Isso explica o caso de um aluno não vacinado por razão médica que não adoece quando há sarampo na cidade: com cobertura de 95%, o vírus quase não encontra suscetíveis para circular. Mas essa proteção é indireta e frágil: depende de todos os outros continuarem vacinados.

Uma doença eliminada no país pode voltar. Vírus como o da poliomielite ainda circulam em outras regiões do mundo e podem chegar por viajantes. Se a cobertura cair, aumenta o número de suscetíveis e o vírus pode se espalhar de novo. Por isso, o SUS investe em campanhas de comunicação, busca ativa de faltosos e vacinação nas escolas.

Pratica★★☆Por começar
Observe a situação: em uma escola de Curitiba, 95% dos alunos estão vacinados contra o sarampo. Mesmo assim, um aluno não vacinado, por razão médica, não adoeceu quando…

Observe a situação: em uma escola de Curitiba, 95% dos alunos estão vacinados contra o sarampo. Mesmo assim, um aluno não vacinado, por razão médica, não adoeceu quando houve um caso na cidade. Explique, com base no conceito de cobertura vacinal e imunidade coletiva (ou de rebanho), por que isso pode ter acontecido.

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Pratica★★★Por começar
Nos últimos anos, a cobertura vacinal de algumas doenças, como a poliomielite, diminuiu em várias regiões do Brasil, apesar de o país ter eliminado a circulação do vírus…

Nos últimos anos, a cobertura vacinal de algumas doenças, como a poliomielite, diminuiu em várias regiões do Brasil, apesar de o país ter eliminado a circulação do vírus selvagem. Argumente por que a queda da cobertura representa um risco para a saúde coletiva, relacionando sua resposta com imunidade coletiva, com a circulação do vírus em outros países e com o papel das campanhas de comunicação do SUS.

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Resumo

  • Antígeno é a molécula reconhecida como estranha; anticorpo é a proteína específica que se liga a ele.

  • A memória imunológica (células de memória) torna a resposta secundária mais rápida e intensa que a primária. As doses de reforço reforçam essa memória.

  • Imunização ativa (vacina, infecção): o corpo produz anticorpos, é lenta e duradoura. Imunização passiva (soro, leite materno): anticorpos prontos, é imediata e temporária.

  • Vacina previne; soro trata casos urgentes, como picadas de cobra e tétano em quem não tem vacinação.

  • A cobertura vacinal alta gera imunidade coletiva, que protege também quem não pode se vacinar. O PNI, pelo SUS, garante o acesso gratuito.

  • De volta ao início: vacina e soro não são a mesma coisa porque um ensina o corpo a se defender (ativa, duradoura) e o outro entrega anticorpos prontos (passiva, imediata). E o aluno não vacinado ficou protegido porque a alta cobertura ao redor interrompeu a transmissão do vírus.

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