Infecções sexualmente transmissíveis e prevenção
Em uma roda de conversa na escola, Camila ouve um colega dizer: "IST é coisa de quem tem muitos parceiros, comigo isso nunca vai acontecer". Será mesmo? Ao longo desta página, você vai ver o que é uma IST, por que ela pode passar despercebida e o que realmente protege a saúde. No final, voltamos a essa frase.
O que são ISTs e quem as causa
Infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) são infecções causadas por microrganismos que passam de uma pessoa para outra principalmente por contato sexual (vaginal, anal ou oral) sem proteção. Algumas também podem ser transmitidas pelo sangue ou da gestante para o bebê.
Hoje se usa "IST" em vez de "DST" porque uma pessoa pode estar infectada, isto é, ter o microrganismo no corpo, mesmo sem apresentar a doença ou qualquer sintoma.
O agente causador pode ser de tipos diferentes. Isso importa, porque define o tratamento.
| IST | Agente causador | Tipo de agente |
|---|---|---|
| HIV/aids | HIV (Human Immunodeficiency Virus) | Vírus |
| HPV (verrugas genitais, câncer de colo do útero) | Papilomavírus humano | Vírus |
| Hepatite B | Vírus da hepatite B | Vírus |
| Herpes genital | Herpesvírus | Vírus |
| Sífilis | Treponema pallidum | Bactéria |
| Gonorreia | Neisseria gonorrhoeae | Bactéria |
| Clamídia | Chlamydia trachomatis | Bactéria |
| Tricomoníase | Trichomonas vaginalis | Protozoário |
Cite três infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e indique, para cada uma, se o agente causador é um vírus, uma bactéria ou outro tipo de organismo.
Cite três infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e indique, para cada uma, se o agente causador é um vírus, uma bactéria ou outro tipo de organismo.
HIV e aids: o ataque aos linfócitos
O HIV infecta os linfócitos T CD4+, células de defesa que coordenam a resposta imunológica: elas "avisam" outras células quando há um invasor. O vírus entra no linfócito, usa a maquinaria da célula para se multiplicar e acaba destruindo-a.
Com o tempo, o número de linfócitos T CD4+ cai. O organismo perde a capacidade de se defender e fica vulnerável a doenças oportunistas (como tuberculose, certas pneumonias e alguns tipos de câncer), que dificilmente atingiriam uma pessoa com o sistema imunológico saudável. Essa fase é a aids.
O HIV é transmitido por sangue, sêmen, secreções vaginais e leite materno, e da gestante para o bebê. Não é transmitido por abraço, beijo, talheres, copos ou picada de mosquito.
Não existe cura nem vacina contra o HIV, mas o tratamento com antirretrovirais, oferecido gratuitamente pelo SUS, mantém a quantidade de vírus no sangue muito baixa. A pessoa vive com qualidade de vida e, quando a carga viral fica indetectável, não transmite o vírus pela via sexual.
O HIV é o vírus que causa a aids. Explique qual é o tipo de célula do sistema imunológico que o vírus ataca e por que isso deixa o organismo mais vulnerável a outras…
O HIV é o vírus que causa a aids. Explique qual é o tipo de célula do sistema imunológico que o vírus ataca e por que isso deixa o organismo mais vulnerável a outras doenças.
Sífilis, HPV e outras ISTs: tratamento e prevenção
O tratamento depende do tipo de agente.
Sífilis. Pode passar por fases: ferida indolor nos genitais (a "cancro duro", que some sozinha), manchas na pele e, se não tratada, comprometimento de coração, sistema nervoso e outros órgãos anos depois. O diagnóstico é feito com teste rápido, e o tratamento com antibiótico é gratuito no SUS.
HPV. O papilomavírus pode causar verrugas genitais e, em alguns tipos, câncer de colo do útero (além de outros cânceres). A vacina contra o HPV faz parte do Programa Nacional de Imunizações e é oferecida gratuitamente a adolescentes. Ela é mais eficaz quando aplicada antes do início da vida sexual, porque o sistema imunológico já terá produzido anticorpos e memória imunológica antes de qualquer contato com o vírus.
Hepatite B. Também tem vacina no SUS, em esquema de três doses.
O que previne as ISTs
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Preservativo (camisinha) masculino ou feminino: funciona como barreira física e impede o contato com sêmen, secreções e feridas. É distribuído gratuitamente nas UBS (postos de saúde) e em campanhas do SUS.
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Vacinas: HPV e hepatite B.
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Testes rápidos: feitos gratuitamente nas UBS, com resultado em cerca de 30 minutos (HIV, sífilis, hepatites B e C).
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PrEP (profilaxia pré-exposição): medicamento tomado antes da exposição por pessoas com maior risco de contrair HIV.
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PEP (profilaxia pós-exposição): medicamento iniciado em até 72 horas após uma exposição de risco.
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Pré-natal com testes de rotina: protege a gestante e o bebê.
Qual é o método de barreira mais indicado para reduzir o risco de transmissão de ISTs durante a relação sexual? Explique em uma ou duas frases por que ele é eficaz e…
Qual é o método de barreira mais indicado para reduzir o risco de transmissão de ISTs durante a relação sexual? Explique em uma ou duas frases por que ele é eficaz e indique onde esse método pode ser obtido gratuitamente no Brasil.
A sífilis é uma IST causada por bactéria e pode ser tratada com antibiótico, enquanto o HIV é causado por vírus e não tem cura. Explique por que o tratamento é diferente…
A sífilis é uma IST causada por bactéria e pode ser tratada com antibiótico, enquanto o HIV é causado por vírus e não tem cura. Explique por que o tratamento é diferente nos dois casos e indique uma medida de prevenção comum a ambas.
O HPV é uma IST associada ao câncer de colo do útero e está disponível uma vacina no SUS para adolescentes. Explique por que a vacinação nessa faixa etária, antes do…
O HPV é uma IST associada ao câncer de colo do útero e está disponível uma vacina no SUS para adolescentes. Explique por que a vacinação nessa faixa etária, antes do início da vida sexual, é considerada uma estratégia importante de prevenção.
Infecção silenciosa, testes e gestação
Muitas ISTs são assintomáticas: a pessoa está infectada, transmite o agente e não percebe nada. Em outras, os sintomas aparecem e somem sozinhos (como o cancro da sífilis), dando a falsa impressão de cura.
Isso favorece a disseminação por três motivos:
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quem não sabe que está infectado não se trata e não toma cuidados;
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continua tendo contatos sem proteção e transmite a outras pessoas;
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a infecção progride sem tratamento e pode causar danos graves (infertilidade, câncer, problemas neurológicos).
Por isso, a testagem periódica faz parte da prevenção: ela descobre a infecção cedo, permite iniciar o tratamento e interrompe a cadeia de transmissão. No SUS, os testes rápidos são gratuitos e sigilosos.
O caso da gestante com sífilis
A bactéria da sífilis atravessa a placenta e infecta o bebê: é a sífilis congênita (transmissão vertical). As consequências podem ser aborto espontâneo, natimorto, parto prematuro, malformações, cegueira, surdez e problemas neurológicos.
Por isso o pré-natal do SUS inclui testes de sífilis e HIV (e hepatite B) no início da gestação e em outros momentos. Se a gestante está infectada, o tratamento com penicilina, iniciado a tempo, evita a infecção do bebê. O parceiro também deve ser tratado, para que a gestante não seja reinfectada. Isso mostra como uma política de saúde pública (exames de rotina, medicamento gratuito, acompanhamento) previne um problema grave antes de ele acontecer.
Muitas pessoas com ISTs não apresentam sintomas. Explique por que essa característica favorece a disseminação dessas infecções e por que a realização periódica de testes…
Muitas pessoas com ISTs não apresentam sintomas. Explique por que essa característica favorece a disseminação dessas infecções e por que a realização periódica de testes rápidos, oferecidos gratuitamente no SUS, faz parte da prevenção.
Uma gestante com sífilis não tratada pode transmitir a bactéria ao bebê. Analise esse caso: explique a via de transmissão, as possíveis consequências para o bebê e a…
Uma gestante com sífilis não tratada pode transmitir a bactéria ao bebê. Analise esse caso: explique a via de transmissão, as possíveis consequências para o bebê e a importância do pré-natal e dos testes de rotina, relacionando sua resposta com a política de saúde pública do SUS.
Informação, risco e cuidado com os jovens
Voltando à frase do início: "só pessoas com muitos parceiros contraem ISTs". Ela está errada por três razões.
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O risco depende da exposição, não do número de parceiros. Um único contato sem preservativo com uma pessoa infectada pode transmitir uma IST. O número de parceiros aumenta a probabilidade, mas não é a condição.
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Muitas ISTs não têm sintomas. Um parceiro pode estar infectado e não saber.
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A prevenção é individual e coletiva. Usar preservativo, vacinar-se e testar-se protege você e as outras pessoas.
Além disso, essa ideia gera estigma: quem pensa que "só os outros" se infectam deixa de se proteger, e quem se infecta tem vergonha de procurar ajuda. A escola, a família e as UBS têm papel importante: informação correta, diálogo sem preconceito, acesso a preservativos, vacinas e testes. Isso faz parte da promoção da saúde e do bem-estar dos jovens, previne infecções e doenças graves no futuro e permite decisões mais conscientes.
Em uma campanha em uma escola de Salvador, a professora Larissa afirma que "só pessoas com muitos parceiros contraem ISTs". Argumente contra essa ideia, usando conceitos…
Em uma campanha em uma escola de Salvador, a professora Larissa afirma que "só pessoas com muitos parceiros contraem ISTs". Argumente contra essa ideia, usando conceitos de transmissão, de risco individual e de prevenção, e discuta como informações corretas e o acesso aos serviços de saúde contribuem para o bem-estar dos jovens.
Resumo
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ISTs são infecções transmitidas principalmente por contato sexual sem proteção; podem ser causadas por vírus (HIV, HPV, hepatite B), bactérias (sífilis, gonorreia) ou protozoários (tricomoníase).
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O HIV ataca os linfócitos T CD4+; sem eles, o organismo fica vulnerável a doenças oportunistas (aids). Os antirretrovirais controlam, mas não curam.
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Bactérias respondem a antibióticos (sífilis tem cura); vírus não respondem a antibióticos.
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Muitas ISTs são assintomáticas, por isso a testagem periódica faz parte da prevenção.
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Prevenção: preservativo (masculino ou feminino), vacinas (HPV, hepatite B), testes rápidos, PrEP e PEP, pré-natal. Tudo gratuito no SUS.
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A sífilis congênita é evitada com pré-natal, testes de rotina e tratamento a tempo.
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Não é o número de parceiros que define o risco, e sim a exposição sem proteção. Informação correta e acesso aos serviços protegem os jovens.