Aplicações do quotidiano: peso, normal, atrito e segurança rodoviária
Um candeeiro está imóvel na mesa de cabeceira, um livro não se afunda na mesa e, num choque, o cinto de segurança pode fazer toda a diferença. Estas situações explicam-se com as mesmas ideias: o peso, a força normal, o atrito e as leis de Newton.
Peso e normal: duas forças que não formam um par ação-reação
Se pousares um livro numa almofada macia, vês a almofada a deformar-se até o livro parar. Numa mesa de madeira rígida, parece que nada se afunda. Que força é que a mesa exerce para cima para sustentar o livro?
O peso de um corpo calcula-se com $P = m\,g$, em que $m$ é a massa (em kg) e $g \approx 10\ \text{m/s}^2$. O peso mede-se em newton (N) e a massa em quilograma (kg).
Um candeeiro está imóvel sobre a mesa de cabeceira e não cai ao chão, como se mostra na figura. A Terra puxa-o para baixo com o seu peso: que outra força atua sobre o…
Um candeeiro está imóvel sobre a mesa de cabeceira e não cai ao chão, como se mostra na figura.
A Terra puxa-o para baixo com o seu peso: que outra força atua sobre o candeeiro, quem a exerce e em que direção e sentido?
Seguras na mão aberta, sem mover, um saco com $2\ \text{kg}$ de laranjas, como se mostra na figura. Considera $g \approx 10\ \text{m/s}^2$. a) Quanto pesa o saco? b) Com…
Seguras na mão aberta, sem mover, um saco com $2\ \text{kg}$ de laranjas, como se mostra na figura. Considera $g \approx 10\ \text{m/s}^2$.
- a) Quanto pesa o saco?
- b) Com que força empurra a tua mão para cima? Justifica considerando que o saco não tem aceleração.
Uma máquina de lavar roupa de $60\ \text{kg}$ está imóvel sobre o chão da cozinha. Considera $g \approx 10\ \text{m/s}^2$. a) Calcula o seu peso. b) Quanto vale a força…
Uma máquina de lavar roupa de $60\ \text{kg}$ está imóvel sobre o chão da cozinha. Considera $g \approx 10\ \text{m/s}^2$.
- a) Calcula o seu peso.
- b) Quanto vale a força normal que o chão exerce sobre ela? Justifica.
- c) O peso e a normal são forças iguais e de sentidos opostos, mas NÃO formam um par ação-reação: explica porquê (pista: repara em que corpo atua cada uma).
Um livro está imóvel sobre uma mesa, como se mostra na figura. a) Refere as duas forças que atuam sobre o livro, quem exerce cada uma e em que sentido. b) Explica por…
Um livro está imóvel sobre uma mesa, como se mostra na figura.
- a) Refere as duas forças que atuam sobre o livro, quem exerce cada uma e em que sentido.
- b) Explica por que razão essas duas forças não formam um par ação-reação.
- c) Indica qual é a verdadeira reação do peso do livro (pista: quem é atraído pelo livro?) e a verdadeira reação da normal (pista: que força exerce o livro sobre a mesa?).
O atrito: aliado e inimigo
Empurra-se com a mesma força uma caixa sobre uma pista de gelo e sobre uma alcatifa. No gelo desliza muitos metros; na alcatifa avança poucos centímetros. Que força aparece entre as superfícies e porque varia tanto?
Num carro que avança com velocidade constante, a força resultante é nula: o atrito tem a mesma intensidade que a força que puxa. Se a força de tração for maior do que o atrito, o corpo acelera.
Podemos reduzir o atrito com lubrificantes (óleo, cera nos esquis) ou superfícies lisas. Podemos aumentá-lo com superfícies rugosas: pneus com relevos, areia ou sal sobre o gelo, solas de borracha.
Indica duas situações do quotidiano em que o atrito nos ajuda (sem ele não conseguiríamos fazer algo) e explica brevemente cada uma.
Indica duas situações do quotidiano em que o atrito nos ajuda (sem ele não conseguiríamos fazer algo) e explica brevemente cada uma.
Indica duas situações do quotidiano em que o atrito prejudica (consome energia, desgasta peças ou aquece) e explica como se costuma reduzir em cada caso.
Indica duas situações do quotidiano em que o atrito prejudica (consome energia, desgasta peças ou aquece) e explica como se costuma reduzir em cada caso.
Explica por que razão é tão fácil escorregar ao caminhar num passeio com gelo. Qual é o papel do atrito? Por que razão se espalha sal ou areia sobre o gelo?
Explica por que razão é tão fácil escorregar ao caminhar num passeio com gelo. Qual é o papel do atrito? Por que razão se espalha sal ou areia sobre o gelo?
Completa a frase e dá um exemplo da vida quotidiana: «A força de atrito entre duas superfícies em contacto opõe-se sempre ao $\dots$ relativo entre elas, ou à tendência…
Completa a frase e dá um exemplo da vida quotidiana: «A força de atrito entre duas superfícies em contacto opõe-se sempre ao $\dots$ relativo entre elas, ou à tendência para $\dots$».
Para arrastar o sofá pela sala é preciso empurrar com força no início, mas depois de começar a mover-se desliza com menos esforço. a) Explica que diferença existe entre…
Para arrastar o sofá pela sala é preciso empurrar com força no início, mas depois de começar a mover-se desliza com menos esforço.
- a) Explica que diferença existe entre o atrito em repouso e o atrito em movimento.
- b) O que aconteceria à força necessária se antes retirasses as almofadas e esvaziasses as gavetas? Justifica a resposta.
Arrastar uma cómoda pesada sobre uma alcatifa custa muito mais do que sobre um chão de mármore polido. a) Explica porquê, referindo o atrito entre as superfícies em…
Arrastar uma cómoda pesada sobre uma alcatifa custa muito mais do que sobre um chão de mármore polido.
- a) Explica porquê, referindo o atrito entre as superfícies em contacto.
- b) Indica uma situação em que seja vantajoso ter um atrito elevado e outra em que seja conveniente ter um atrito reduzido.
Os esquiadores aplicam cera na base dos esquis antes de uma competição. a) O que conseguem com isso? Relaciona com o atrito. b) Dá outro exemplo de desporto ou máquina…
Os esquiadores aplicam cera na base dos esquis antes de uma competição.
- a) O que conseguem com isso? Relaciona com o atrito.
- b) Dá outro exemplo de desporto ou máquina em que se use cera, óleo ou outro lubrificante, e explica a sua função.
Puxas um carrinho de bagagem de $10\ \text{kg}$ pelo chão do aeroporto com uma força horizontal de $30\ \text{N}$, como se mostra na figura, e o carrinho avança com…
Puxas um carrinho de bagagem de $10\ \text{kg}$ pelo chão do aeroporto com uma força horizontal de $30\ \text{N}$, como se mostra na figura, e o carrinho avança com velocidade constante.
- a) Quanto vale a força resultante sobre o carrinho? Quanto vale, então, o atrito?
- b) De repente, puxas com $50\ \text{N}$ (mantendo o atrito o mesmo valor): calcula a aceleração do carrinho.
- c) A primeira lei diz que, sem forças, um corpo continuaria a mover-se: por que razão é necessário continuar a puxar para manter a velocidade constante? Não há contradição: explica porquê.
É preciso empurrar um carro avariado para o retirar da faixa de rodagem. Custa imenso pô-lo em movimento, mas assim que começa a rolar mantém-se em movimento com um…
É preciso empurrar um carro avariado para o retirar da faixa de rodagem. Custa imenso pô-lo em movimento, mas assim que começa a rolar mantém-se em movimento com um empurrão suave.
- a) Explica a primeira fase com base na inércia e no atrito em repouso.
- b) Explica a segunda fase com base no atrito em movimento e na primeira lei.
- c) Se em asfalto plano deixassem de empurrar, o carro pararia instantaneamente? Justifica a resposta.
Travar na estrada: reação, travagem e segurança
Um carro não pára no instante em que o condutor vê um obstáculo. Primeiro o condutor demora a reagir; só depois os travões atuam.
No gráfico $v$-$t$, a área debaixo da linha é a distância percorrida. A área do retângulo é a distância de reação; a do triângulo é a distância de travagem.
Fatores de que dependem:
-
Tempo de reação: cansaço, álcool, drogas, distração (telemóvel). Não depende dos travões.
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Distância de travagem: velocidade, estado dos pneus e dos travões, e piso (seco, molhado, gelo, gravilha).
Os pneus dos automóveis têm relevos no piso da banda de rodagem e devem ser substituídos quando estão «lisos». Explica para que servem esses relevos e que perigo existe…
Os pneus dos automóveis têm relevos no piso da banda de rodagem e devem ser substituídos quando estão «lisos». Explica para que servem esses relevos e que perigo existe em circular com pneus lisos, sobretudo com o piso molhado.
Travar de bicicleta sobre uma placa de gelo é muito perigoso. a) Explica o que acontece à roda e ao atrito se travares a fundo sobre gelo. b) Prevê por que razão é…
Travar de bicicleta sobre uma placa de gelo é muito perigoso.
- a) Explica o que acontece à roda e ao atrito se travares a fundo sobre gelo.
- b) Prevê por que razão é melhor travar suavemente e usar sobretudo o travão traseiro nessa situação.
Ordena estas situações por ordem crescente de distância de travagem e justifica a ordem com base na velocidade e no atrito disponível: a) Um carro a $50\ \text{km/h}$…
Ordena estas situações por ordem crescente de distância de travagem e justifica a ordem com base na velocidade e no atrito disponível:
- a) Um carro a $50\ \text{km/h}$ com o piso seco.
- b) O mesmo carro a $50\ \text{km/h}$ com o piso molhado.
- c) O mesmo carro a $100\ \text{km/h}$ com o piso seco.
Dois carros idênticos (mesma massa) circulam, um a $50\ \text{km/h}$ e outro a $100\ \text{km/h}$, e ambos travam ao mesmo tempo com a mesma força de travagem. a) Usando…
Dois carros idênticos (mesma massa) circulam, um a $50\ \text{km/h}$ e outro a $100\ \text{km/h}$, e ambos travam ao mesmo tempo com a mesma força de travagem.
- a) Usando a segunda lei, explica por que razão os dois desaceleram de igual modo.
- b) Justifica qual dos dois necessitará de mais tempo para parar e, portanto, de mais metros.
- c) Com base nesta ideia, explica por que razão, na cidade, o limite de velocidade é de $30\ \text{km/h}$ ou de $50\ \text{km/h}$ e não de $120\ \text{km/h}$.
Nas aulas de condução recomenda-se duplicar ou triplicar a distância de segurança quando chove. a) Explica o que acontece ao atrito entre o pneu e o piso em piso molhado…
Nas aulas de condução recomenda-se duplicar ou triplicar a distância de segurança quando chove.
- a) Explica o que acontece ao atrito entre o pneu e o piso em piso molhado (a água atua como «lubrificante»).
- b) Relaciona esse menor atrito com a força máxima de travagem disponível e, usando a segunda lei, com a desaceleração que o carro consegue atingir.
- c) Conclui: por que razão quando chove se deve circular mais devagar, mesmo que o carro e os travões sejam exatamente os mesmos?
Os troços com gravilha solta são especialmente perigosos nas curvas. a) Explica, com a primeira lei, o que tende a fazer um carro ao chegar a uma curva. b) Que força é…
Os troços com gravilha solta são especialmente perigosos nas curvas.
- a) Explica, com a primeira lei, o que tende a fazer um carro ao chegar a uma curva.
- b) Que força é que realmente consegue fazer o carro curvar? O que acontece se essa força for reduzida devido à presença de gravilha solta?
- c) Relaciona o que foi dito com os sinais de «gravilha solta» e com a recomendação de reduzir a velocidade antes da curva, e não durante a mesma.
Cinto, airbag e capacete: alargar o tempo do choque
Um ovo lançado contra uma parede de tijolo rebenta. Lançado à mesma velocidade contra um lençol solto, pára devagar e fica inteiro. Porque é que a mesma velocidade tem consequências tão diferentes?
Num choque, o corpo tende a continuar em movimento (1.ª lei, inércia). Sem cinto, o passageiro segue para a frente à velocidade do carro até embater no tabliê ou no para-brisas. O cinto segura-o e distribui a força por zonas resistentes do corpo. O apoio de cabeça evita que a cabeça «fique para trás» num choque por trás.
O capacete tem esferovite que se deforma no impacto, absorvendo energia e alargando o tempo da paragem da cabeça. Depois de um impacto forte, esse material fica deformado e já não protege bem: o capacete deve ser substituído, mesmo que por fora pareça intacto.
Explica para que serve o capacete de bicicleta pensando no que aconteceria à tua cabeça numa queda, com e sem capacete. Que vantagem traz o facto de o impacto durar um…
Explica para que serve o capacete de bicicleta pensando no que aconteceria à tua cabeça numa queda, com e sem capacete. Que vantagem traz o facto de o impacto durar um pouco mais de tempo?
Numa colisão, a cabeça do condutor tende a continuar a mover-se para a frente (primeira lei). O airbag insufla numa fração de segundo para a travar. a) Por que razão é…
Numa colisão, a cabeça do condutor tende a continuar a mover-se para a frente (primeira lei). O airbag insufla numa fração de segundo para a travar.
- a) Por que razão é menos gravoso travar a cabeça com o airbag do que contra o volante?
- b) Relaciona a tua resposta com a segunda lei: o que acontece à força se a travagem for distribuída por mais tempo?
O capacete de mota tem no seu interior uma camada espessa de esferovite que se deforma ao sofrer um impacto. a) Explica que vantagem traz a deformação do material em vez…
O capacete de mota tem no seu interior uma camada espessa de esferovite que se deforma ao sofrer um impacto.
- a) Explica que vantagem traz a deformação do material em vez de este ser totalmente rígido.
- b) Por que razão se recomenda substituir o capacete após um impacto forte, mesmo que por fora pareça intacto?
Analisa uma colisão frontal a $50\ \text{km/h}$ com as leis de Newton: a) Explica, com a primeira lei, o que acontece ao corpo de um passageiro sem cinto de segurança no…
Analisa uma colisão frontal a $50\ \text{km/h}$ com as leis de Newton:
- a) Explica, com a primeira lei, o que acontece ao corpo de um passageiro sem cinto de segurança no momento do impacto.
- b) Explica que duas funções desempenha o cinto para o proteger: segurá-lo e distribuir a força por zonas resistentes do corpo.
- c) O airbag aumenta o tempo de paragem da cabeça: usando a segunda lei, justifica por que razão isso reduz a força sofrida pela cabeça.
Os carros modernos são concebidos com «zonas de deformação programada»: a carroçaria amarrota-se de forma controlada durante uma colisão. a) À primeira vista parece…
Os carros modernos são concebidos com «zonas de deformação programada»: a carroçaria amarrota-se de forma controlada durante uma colisão.
- a) À primeira vista parece melhor um carro indeformável: explica por que razão isso seria, na verdade, pior para os passageiros.
- b) Relaciona a deformação com o tempo de duração da travagem na colisão e, usando a segunda lei, com a força que atinge os passageiros.
- c) Que semelhança existe entre esta conceção, o airbag e a espuma do capacete?
Voltando ao início: o livro não se afunda porque a mesa exerce uma força normal para cima que equilibra o peso. Num choque, o cinto protege porque segura o corpo e se estica um pouco, alargando o tempo de travagem e reduzindo a força sobre o corpo.