Estrutura de documentos e WCAG
O grupo do Simão escreveu o relatório «Acessibilidade na nossa escola». Para fazer os títulos, aumentaram a letra e puseram-na a negrito. No ecrã, parece perfeito. Mas para a Leonor, que usa um leitor de ecrã, o documento é um muro de texto sem pontos de entrada. Porquê? E como se resolve? É isso que vais descobrir.
Títulos a sério: os estilos de título
Quem vê o ecrã percebe um título pelo aspeto: letra maior, negrito. Um leitor de ecrã não vê o aspeto: lê a estrutura do documento. Se o programa sabe que uma linha é um título, o leitor anuncia «título» e permite saltar de título em título, como num índice.
Se só aumentares a letra e puseres negrito, para o programa aquilo continua a ser um parágrafo normal. O leitor lê tudo seguido, sem avisar que começou uma nova secção.
Por isso usa sempre os estilos de título do processador de texto (Título 1, Título 2, Título 3):
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Título 1: o título principal do documento (um só).
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Título 2: as grandes secções.
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Título 3: as subsecções dentro de uma secção.
Também ajuda a todos: com estilos de título, o programa gera um índice automático e podes mudar o aspeto de todos os títulos de uma só vez.
O grupo do Simão escreveu o relatório «Acessibilidade na nossa escola» num processador de texto. Para os títulos das secções, os elementos do grupo aumentaram a letra e…
O grupo do Simão escreveu o relatório «Acessibilidade na nossa escola» num processador de texto. Para os títulos das secções, os elementos do grupo aumentaram a letra e puseram-na a negrito, sem usar os estilos de título do programa. As medidas propostas ficaram todas escritas num único parágrafo comprido.
- a) Explica porque é que criar «títulos» apenas com letra grande e negrito é um problema para quem usa um leitor de ecrã.
- b) Indica como se devem usar corretamente os estilos de título (Título 1, Título 2, Título 3) num documento.
- c) Que recurso de estruturação deve o grupo usar para apresentar as medidas propostas, em vez de um único parágrafo? Justifica.
Cabeçalhos sem saltos de nível
Em páginas web, os títulos chamam-se cabeçalhos e têm níveis, de H1 a H3 (e mais): H1 é o mais importante e H2, H3… são subdivisões.
A regra é simples: desce um nível de cada vez, sem saltos.
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H1 → H2 → H3 ✔
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H1 → H3 ✘ (falta o H2)
Porquê? Quem usa um leitor de ecrã costuma saltar de cabeçalho em cabeçalho para perceber como a página está organizada. Se passas de H1 diretamente para H3, a pessoa fica a pensar se perdeu alguma coisa: onde está o nível intermédio? A hierarquia deixa de fazer sentido.
Boas práticas:
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Uma página tem um só H1: o título da página.
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Escolhe o nível pela estrutura, não pelo tamanho da letra que preferires.
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Não uses um cabeçalho só para «pôr texto grande».
A figura mostra a estrutura de cabeçalhos da página inicial do projeto de TIC da turma. Um dos cabeçalhos não está no nível correto. a) Indica qual é o problema da…
A figura mostra a estrutura de cabeçalhos da página inicial do projeto de TIC da turma. Um dos cabeçalhos não está no nível correto.
- a) Indica qual é o problema da estrutura apresentada.
- b) Explica porque é que saltar níveis de cabeçalho (por exemplo, passar de H1 diretamente para H3) prejudica a navegação de quem usa um leitor de ecrã.
- c) Reescreve a estrutura da página de forma correta.
Ligações com sentido e listas
Os leitores de ecrã podem ler só as ligações de uma página, umas a seguir às outras, fora do contexto. Imagina ouvir: «clica aqui, clica aqui, clica aqui». Não dá para saber para onde vai cada uma.
Um bom texto de ligação diz para onde leva, mesmo lido isoladamente.
| Mau | Bom |
|---|---|
| Clica aqui | Vê o vídeo da feira de ciências |
| Mais informação | Lê o relatório da turma |
| www.exemplo.pt/a8d… | Regras de acessibilidade da WCAG |
Outras boas práticas com ligações:
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Evita textos de ligação iguais que levam a sítios diferentes.
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Indica quando a ligação abre um ficheiro (por exemplo, «relatório (PDF)»).
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Não uses só a cor para distinguir uma ligação: mantém o sublinhado.
Listas e parágrafos
Um parágrafo enorme com muitas medidas seguidas é cansativo para toda a gente. Quando tens várias ideias da mesma natureza, usa uma lista (com marcas ou numerada) do processador de texto. O leitor de ecrã anuncia «lista com 4 itens» e a pessoa sabe o que esperar. Usa também parágrafos curtos, com uma ideia cada.
No blogue da turma, o Rodrigo escreveu o seguinte parágrafo: «Fizemos um vídeo muito giro sobre a feira de ciências: para o veres, clica aqui. Também podes ler o nosso…
No blogue da turma, o Rodrigo escreveu o seguinte parágrafo:
«Fizemos um vídeo muito giro sobre a feira de ciências: para o veres, clica aqui. Também podes ler o nosso relatório: clica aqui. Para saberes mais sobre as regras de acessibilidade, clica aqui.»
- a) Explica porque é que «clica aqui» é um mau texto de ligação, pensando em quem navega com um leitor de ecrã que lê as ligações de uma página umas a seguir às outras, fora do contexto.
- b) Reescreve o parágrafo com textos de ligação descritivos.
- c) Indica mais uma boa prática relacionada com ligações, para além de usar textos descritivos.
As WCAG
Quem decide o que é «acessível»? Existem orientações internacionais: as WCAG (Web Content Accessibility Guidelines, «Orientações para a Acessibilidade dos Conteúdos Web»). São um conjunto de recomendações para que sítios web e documentos possam ser usados por todas as pessoas, incluindo as com deficiência.
As WCAG definem três níveis de conformidade:
| Nível | Ideia |
|---|---|
| A | O mínimo indispensável |
| AA | O nível intermédio, geralmente exigido |
| AAA | O mais exigente |
As WCAG são uma referência para quem cria conteúdos digitais, e os sítios web de organismos públicos, escolas incluídas, devem seguir regras de acessibilidade. Não precisas de conhecer o texto legal: basta saberes que o nível AA é um objetivo habitual de boas práticas.
Não tens de decorar as WCAG. Para já, basta saberes que existem, para que servem e reconhecer que muitas das suas regras são as que já estudaste:
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texto alternativo nas imagens (uma frase curta que descreve o que a imagem mostra, para quem não a consegue ver);
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contraste suficiente entre texto e fundo (mínimo 4,5:1 no nível AA);
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legendas nos vídeos (o texto do que se diz, sincronizado com a imagem) e, para áudio, uma transcrição escrita;
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títulos bem estruturados, sem saltos de nível;
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ligações com textos descritivos.
Nas aulas, a turma ficou a conhecer as WCAG (Web Content Accessibility Guidelines), as orientações internacionais de acessibilidade dos conteúdos web, que definem três…
Nas aulas, a turma ficou a conhecer as WCAG (Web Content Accessibility Guidelines), as orientações internacionais de acessibilidade dos conteúdos web, que definem três níveis de conformidade: A, AA e AAA. Em Portugal e na União Europeia, os sítios web dos organismos públicos — incluindo as escolas — são obrigados por lei a respeitar regras de acessibilidade e a publicar uma Declaração de Acessibilidade.
- a) Explica, com as tuas palavras, o que são as WCAG e para que servem.
- b) O nível geralmente exigido aos organismos públicos é o AA. Indica duas regras concretas de acessibilidade que já estudaste e que fazem parte das boas práticas desse nível.
- c) A turma quer avaliar a acessibilidade do próprio blogue. Elabora uma grelha de verificação com cinco itens concretos de acessibilidade a verificar no blogue.