Da folha de cálculo ao gráfico
A turma do 9.º B fez um inquérito sobre o desporto que cada aluno pratica fora da escola. Os dados estão num caderno, todos baralhados. Como os transformar, em poucos cliques, num gráfico que toda a gente percebe? E como garantir que o gráfico não engana ninguém?
Organizar os dados numa tabela
Um gráfico só é bom se a tabela de onde vem for boa. Na folha de cálculo, cada dado está numa célula, identificada pela coluna e pela linha (por exemplo, B3).
Regras para uma tabela «amiga» do gráfico:
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a primeira linha é o cabeçalho (o nome de cada coluna);
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a primeira coluna tem as categorias (desportos, meses, anos…);
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as restantes colunas têm os valores, um tipo de dado por coluna;
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sem linhas ou colunas vazias no meio.
| A | B | |
|---|---|---|
| 1 | Desporto | Alunos |
| 2 | Futebol | 9 |
| 3 | Natação | 6 |
| 4 | Dança | 5 |
| 5 | Basquetebol | 4 |
| 6 | Outro | 4 |
Um conjunto de células vizinhas chama-se intervalo e escreve-se com a primeira e a última célula: A1:B6. Para saber quantos alunos responderam, basta somar a coluna B: =SOMA(B2:B6) dá $9+6+5+4+4=28$.
O Tiago organizou na folha de cálculo os resultados de um inquérito aos alunos da turma sobre o desporto que praticam fora da escola: | | A | B |…
O Tiago organizou na folha de cálculo os resultados de um inquérito aos alunos da turma sobre o desporto que praticam fora da escola:
| A | B | |
|---|---|---|
| 1 | Desporto | Alunos |
| 2 | Futebol | 9 |
| 3 | Natação | 6 |
| 4 | Dança | 5 |
| 5 | Basquetebol | 4 |
| 6 | Outro | 4 |
- a) Quantos alunos responderam ao inquérito? Apresenta o cálculo.
- b) Que intervalo de células deve o Tiago selecionar para criar o gráfico, incluindo os rótulos?
- c) Indica o tipo de gráfico mais adequado para comparar o número de alunos entre os desportos e justifica.
- d) Descreve, por ordem, os passos a seguir na folha de cálculo, desde a seleção dos dados até obter o gráfico com título.
Criar o gráfico passo a passo
A Inês contou quantas vezes o sítio web da escola foi visitado em cada mês do ano letivo e construiu, na folha de cálculo, o gráfico de linhas da figura. a) Quantas…
A Inês contou quantas vezes o sítio web da escola foi visitado em cada mês do ano letivo e construiu, na folha de cálculo, o gráfico de linhas da figura.
- a) Quantas visitas houve em janeiro? E em abril?
- b) Entre que dois meses consecutivos se registou o maior aumento de visitas? E a maior descida?
- c) Explica por que razão o gráfico de linhas é adequado para estes dados e por que um gráfico circular não faria sentido.
Ler um gráfico de linhas
Quando os dados são uma evolução no tempo (meses, anos), usa-se um gráfico de linhas: os pontos ficam ligados e vê-se logo se o valor sobe ou desce. Um gráfico circular não serve, porque o tempo não é «parte de um todo».
Para encontrar a maior subida ou descida, compara cada mês com o mês seguinte: subtrai o valor do mês anterior ao do mês seguinte. A diferença positiva maior é a maior subida; a diferença negativa maior (a mais baixa) é a maior descida.
2D ou 3D?
A folha de cálculo oferece colunas «3D» com perspetiva, profundidade e sombras. Parece mais vistoso, mas lê-se pior: o topo da coluna fica deslocado em relação à escala do eixo e as colunas da frente parecem maiores do que as de trás. Num gráfico de 120, 200 e 160 bilhetes, com 3D já não é claro se a coluna de sábado chega a 200 ou fica um pouco abaixo.
O mesmo vale para outros enfeites: sombras, brilhos, gradientes, imagens de fundo e ícones dentro das colunas. Se não acrescentam informação, só distraem.
Ao criar um gráfico de colunas, a folha de cálculo propõe as variantes «2D» e «3D». A turma comparou as duas versões do mesmo gráfico — bilhetes vendidos para a festa da…
Ao criar um gráfico de colunas, a folha de cálculo propõe as variantes «2D» e «3D». A turma comparou as duas versões do mesmo gráfico — bilhetes vendidos para a festa da escola: sexta-feira 120, sábado 200 e domingo 160.
- a) Explica por que razão a versão 3D pode dificultar a leitura correta dos valores (pensa na perspetiva, na profundidade e no alinhamento do topo das colunas com a escala do eixo).
- b) Indica que versão deve ser usada num trabalho escolar e justifica.
- c) Menciona outro «enchimento» visual frequente (sombras, brilhos, gradientes, imagens de fundo) que não acrescenta informação e deve ser evitado num gráfico.
Dois eixos verticais: cuidado!
Por vezes, o mesmo gráfico tem um eixo vertical à esquerda e outro à direita (eixo secundário), com escalas e unidades diferentes. É útil para mostrar duas grandezas, mas os pontos onde as linhas se cruzam não significam nada: dependem apenas das escalas escolhidas.
Como evitar a confusão:
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fazer dois gráficos separados, um por grandeza;
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ou converter tudo para a mesma unidade (por exemplo, número de alunos que almoçam na cantina: 396, 456, 546 e 630);
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se usares eixo secundário (na folha de cálculo: selecionar a série, Formatar série de dados e escolher Eixo secundário), identifica cada linha com o respetivo eixo (cor ou legenda).
Num relatório da escola aparece um gráfico com dois eixos verticais: à esquerda, o número de alunos (escala de 0 a 1 000); à direita, a percentagem de alunos que almoçam…
Num relatório da escola aparece um gráfico com dois eixos verticais: à esquerda, o número de alunos (escala de 0 a 1 000); à direita, a percentagem de alunos que almoçam na cantina (escala de 0 % a 100 %). As duas linhas cruzam-se a meio do gráfico e o autor conclui: «o número de alunos ultrapassou a percentagem de refeições na cantina».
| Ano letivo | Alunos | Almoçam na cantina |
|---|---|---|
| 2021/22 | 720 | 55 % |
| 2022/23 | 760 | 60 % |
| 2023/24 | 830 | 65 % |
| 2024/25 | 900 | 70 % |
- a) Explica por que razão a conclusão do autor não faz sentido.
- b) Explica como a escolha das escalas dos dois eixos pode alterar o ponto onde as linhas se cruzam, sem que os dados mudem.
- c) Propõe uma forma mais transparente de apresentar as duas séries e descreve-a.
Em resumo
De volta ao início: o gráfico do 9.º B fica claro com a tabela bem organizada, o intervalo certo, título e eixos, em 2D e sem enganos.