Escolher o gráfico adequado
O jornal da escola vai publicar os resultados de um inquérito sobre a forma como os alunos vêm para as aulas. Tens os números, mas qual é o gráfico certo? Com o gráfico errado, o leitor percebe pouco ou percebe mal. Neste apartado aprendes a escolher e a justificar a escolha.
Primeiro pergunta: o que quero mostrar?
Antes de abrir a folha de cálculo, olha para os dados e faz uma pergunta: que mensagem quero transmitir? A resposta indica o gráfico.
| Mensagem | Gráfico adequado |
|---|---|
| Como se divide um todo em partes | Gráfico circular |
| Comparar valores de categorias diferentes | Gráfico de barras (ou colunas) |
| Como algo evolui ao longo do tempo | Gráfico de linhas |
| Se duas variáveis estão relacionadas | Gráfico de dispersão |
O clube de ciências da escola recolheu quatro conjuntos de dados e quer publicá-los no jornal escolar: a) Percentagem de alunos da escola que usa cada meio de transporte…
O clube de ciências da escola recolheu quatro conjuntos de dados e quer publicá-los no jornal escolar:
- a) Percentagem de alunos da escola que usa cada meio de transporte para chegar às aulas: a pé 40 %, autocarro 35 %, automóvel 15 %, bicicleta 10 %.
- b) Número de refeições servidas na cantina em cada mês do ano letivo, de setembro a junho.
- c) Número de livros requisitados na biblioteca, por ano de escolaridade, do 7.º ao 12.º ano.
- d) Classificação média (de 0 a 20 valores) e número de horas de estudo por semana de 30 alunos do 9.º ano (cada aluno corresponde a um par de valores).
Para cada conjunto de dados, indica o tipo de gráfico mais adequado — circular, de barras (ou colunas), de linhas ou de dispersão — e justifica a escolha com base na mensagem que se pretende transmitir.
Gráfico circular: partes de um todo
O gráfico circular divide um círculo em fatias. Cada fatia é uma parte do todo e o ângulo da fatia é proporcional ao seu valor. Todas as fatias juntas somam 100 %.
Serve quando: os dados são categorias que formam um todo (cada elemento pertence a uma só categoria) e há poucas categorias.
Ler um gráfico circular
Cada percentagem é uma parte do total. Se souberes o valor de uma fatia, descobres o total.
A turma do 9.º B inquiriu os alunos sobre o tipo de aplicação onde passam mais tempo no telemóvel e representou os resultados no gráfico da figura. a) Que percentagem de…
A turma do 9.º B inquiriu os alunos sobre o tipo de aplicação onde passam mais tempo no telemóvel e representou os resultados no gráfico da figura.
- a) Que percentagem de alunos passa mais tempo em aplicações de vídeo? E em jogos?
- b) Sabendo que os 10 % dos jogos correspondem a 3 alunos, quantos alunos responderam ao inquérito? Apresenta o cálculo.
- c) Explica por que razão o gráfico circular é adequado para representar estes dados.
- d) Indica um conjunto de dados do teu dia a dia para o qual o gráfico circular não seria uma boa escolha e justifica.
Barras, linhas e dispersão
Barras: comparar categorias
Cada categoria tem a sua barra e o comprimento da barra é o valor. É o gráfico ideal para comparar valores entre si, por exemplo as classificações médias das turmas A, B e C. Funciona com muitas categorias e permite ordená-las da maior para a menor.
Linhas: evolução no tempo
Os pontos ligam-se por uma linha, da esquerda para a direita. A linha mostra a tendência: subida, descida ou estabilidade. Usa-a quando o eixo horizontal é o tempo (meses, anos letivos). Exemplo: o número de refeições servidas na cantina de setembro a junho.
Dispersão: relação entre duas variáveis
Cada elemento é um ponto com duas medidas, por exemplo as horas de estudo e a classificação de cada aluno. Se os pontos sobem da esquerda para a direita, valores maiores de uma variável acompanham valores maiores da outra.
A redação do jornal escolar quer publicar quatro peças e discute que gráfico deve acompanhar cada uma: a) «Metade do orçamento da associação de estudantes é gasta em…
A redação do jornal escolar quer publicar quatro peças e discute que gráfico deve acompanhar cada uma:
- a) «Metade do orçamento da associação de estudantes é gasta em festas e atividades.»
- b) «O número de alunos que trazem tablet próprio para a escola tem aumentado nos últimos cinco anos letivos.»
- c) «No último teste de Matemática, a turma A teve classificação média superior às turmas B e C.»
- d) «Entre os alunos inquiridos, quem passa mais tempo ao ecrã antes de dormir tende a relatar pior qualidade de sono.»
Para cada peça, indica o tipo de gráfico que melhor transmite a mensagem pretendida e justifica a escolha com base nessa mensagem (e não apenas no aspeto dos dados).
Quando o circular deixa de funcionar
O gráfico circular tem limites. Com muitas categorias, as fatias ficam finas, as etiquetas sobrepõem-se e é difícil ver qual é maior. Também é mau quando as categorias têm valores parecidos: o olho não distingue bem ângulos próximos.
Soluções quando há demasiadas categorias:
-
usar um gráfico de barras ordenado da maior para a menor categoria;
-
agrupar as categorias pequenas numa fatia «Outros».
A Beatriz fez um inquérito sobre a aplicação de mensagens preferida dos alunos, com dez opções de resposta, e obteve percentagens entre 3 % e 18 %. Ao representar os…
A Beatriz fez um inquérito sobre a aplicação de mensagens preferida dos alunos, com dez opções de resposta, e obteve percentagens entre 3 % e 18 %. Ao representar os resultados num gráfico circular, obteve uma «roda» com dez fatias finas, quase impossível de ler.
- a) Explica por que razão o gráfico circular deixou de ser adequado neste caso.
- b) Indica um tipo de gráfico mais adequado para estes dados e justifica.
- c) Formula uma regra prática (por exemplo, número máximo de fatias ou percentagem mínima de cada fatia) para decidir entre gráfico circular e gráfico de barras quando se representam proporções.
Em resumo
De volta ao início: para o inquérito sobre os transportes, as partes de um todo (40 %, 35 %, 15 %, 10 %) formam um bom gráfico circular, pois são poucas categorias.